Lê-se? Lê-se
De há muitos anos a esta parte ouço meio mundo dizer que não se lê em Portugal. Admito que existem outros países com índices de leitura muito mais elevados, sobretudo na infância e na adolescência, mas, como se costuma dizer, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Leio, de resto, uma notícia no jornal Público sobre as quebras do mercado de entretenimento durante a crise e, ao que parece, foram os livros que melhor a aguentaram – caindo 1% no ano de 2013, enquanto o resto do sector (música, filmes, videojogos) encolheu cerca de 12%. Bem sei que as pessoas são hoje muito hábeis a rapinar da Internet filmes, músicas e jogos gratuitamente e que, de certa forma, os livros ainda estão, digamos assim, algo armadilhados, o que pode viciar os dados; além disso, entre os que gostam de ler, só 6% se habituaram já ao formato digital... Mesmo assim, a notícia diz-nos que um terço dos portugueses já lê regularmente e que o tempo médio dedicado à leitura é de cinco horas semanais. Comparado com o tempo gasto a ver televisão, talvez seja pouco, mas, se pensarmos bem, são resultados francamente melhores do que tínhamos há dez anos (sem crise) e mostram que cada vez mais gente compra livros. Que livros, não sei, e talvez seja melhor não saber para não ficar triste. Mas lá que se lê, lê.
Sem ter números a percepção que tenho: a de que nunca se leu tanto o que talvez, talvez!, não signifique vender-se mais. E aquilo que se lê penso que não é de todo importante fora do círculo editorial, já que os hábitos de leitura vão evoluindo com a própria leitura. Aliás o fenómeno da escrita é similar: nunca se escreveu tanto; e da quantidade emergirá a qualidade.
ResponderEliminarHábitos e diversidade de leitura! Leituras muito centradas, também não me parecem nada boas para a percepção do mundo e para a criatividade!
EliminarInteiramente de acordo!!!!!
Eliminarmas lê-se pouco...
ResponderEliminarcompram-se mais livros para as estantes que para ler.
Hum... nem tanto, nem tanto...
Eliminar"Que livros, não sei, e talvez seja melhor não saber para não ficar triste."
ResponderEliminarMesmo que venha a saber, não fique triste Rosário, pois o importante é ler e, quem ganha o hábito da leitura - ainda que inicialmente sejam livros que a podem deixar triste - mais cedo ou mais tarde vai, porque assim se regem os homens, exigir mais de outras coisas, de outros livros até chegar ao que de melhor se pode ler.
As estatísticas já merecem uma satisfação, e o tempo ditará o resto, pois convenhamos recordar que um leitor é uma pessoa com gostos, e, gostos (já dizia o outro) não se discutem, no entanto com o tempo de ler, a tendência é para que esses gostos sejam limados. Por isso, não vale a pena ficar triste a nossa anfitriã... É confiar no que de melhor se vai editando, afinal a qualidade acaba sempre por vingar, ainda que tarde, vinga sempre! Bom, espero eu...
Também concordo...
EliminarOh amigo Pacheco, estava à espera de um desenvolvimento à Pacheco. Vamos lá, venha daí a sua opinião a estas estatísticas agora reveladas.
EliminarCalma... dê-me tempo, eu ainda não escrevo mais depressa do que penso... ahahahah!
EliminarSe me permitem a prosápia, agora falo como o antigo homem da distribuição, que se habituou interpretar os sinais para saber o que comprar para depois vender...
ResponderEliminarÉ dos livros que há duas vertentes:
1ª A da sofisticação/tradição
2ª A da modernidade/comodidade
É aplicável ao sector livreiro?
Sem dúvida! Os clássicos, as reedições contínuas destes são disso a prova, de que se mantém a procura.
Sobre os outros... bem isso fia mais fino, mas creio que tudo se resume a um facto principal que há que ter em mente: o ser humano é preguiçoso!
Os milhões de anos de evolução têm tido como objetivo maior facilitar-nos a vida, a procura da comodidade portanto! Este o grande segredo da "caixa que mudou o Mundo"... e de outros fenómenos mais recentes que tomaram conta de nós, mesmo daqueles que acham que não, tudo em nome da facilidade e comodidade!
Depois há outro factor: o económico! Porque também ele influi na facilidade e no comodismo.
Portanto a TV se manterá sólidamente implantada e até crescerá... reparem: - Está em casa e está paga, portanto fica-se a assistir aos milhentos canais que transmitem de tudo, sejam os da IURD os Telecine o AXN Séries, o Canal Telenovelas, o Caça e Pesca, o Toros, o História, os NG, a Tv Sport... Playboy...
Alguma dúvida?
Os livros... bem, se fizermos as contas é ainda o entretenimento mais barato comprar um livro, que aliás ainda estão caríssimos e se eu fosse Dir. Ger. de uma grande Editora seria esse o "target" dos homens do marketing: baixar o custo através das edições económicas e populares, aliás mais manuseáveis e sobretudo portáteis - para ler nos transportes!
As pessoas estão a andar mais de transportes públicos de média e longa distância, é um facto. Isso potencia a leitura, sem dúvida. Aliás podia até ser o mote de uma campanha nesse sentido... o comboio mais barato, relaxante e que permite a leitura, combinando duas formas de viajar: a do corpo e a do espírito.
Por isso não me espanta mesmo nada que se verifique que afinal lemos mais do que se apregoa, e que haja previsão de crescimento...
Até o meu filho já vai lendo qualquer coisa além dos livros do curso, o que é notável! Finalmente...
Saudações do Bairro Ribatejano
Prontinho. Lá está. Uma análise completa e esclarecida como nos tem habituado. Gosto daquela parte das edições baratas, as chamadas edições de bolso, pois isso é uma realidade de muitos países. Por exemplo: aqui em França e, talvez atendendo ao seu raciocínio corretíssimo, as pessoas transportam livros para todo o lado porque maioritariamente se editam as tais edições de bolso baratas. Nos transportes públicos então é bonito de se ver... uma coisa leva à outra e o amigo Pacheco, habituado a raciocínios, chegou lá!
EliminarUm abraço.
Infelizmente devido à falta de escala e aos custos da distribuição, mesmo as edições de bolso nunca atingiriam valores muito mais baixos do que os actuais. A solução será o digital que afasta uma parte dos custos de distribuição (promoção excluída). Mas o digital vai abrir uma caixa de pandora ... a pirataria!
EliminarPara memória presente é preciso que se saiba que só a distribuição pode ficar com quase 45% do preço de capa; e que uma alteração só pode ser efectuada fora do quadro das grandes editoras, que têm custos de estrutura elevados; ou através de outros modelos de distribuição, como alguns que se vão ensaiando.
Segundo me foi dito numa gráfica que trabalha com uma editora própria, as distribuidoras bloqueiam a chegada dos livros de editoras que com ela não tenham exclusividade ou as condições exigidas. Nada de muito diferente do que acontece noutros mercados, num país onde a concorrência perfeita é um mito; aquilo que se estuda em economia de empresa denominado de concorrência entre poucas empresas, barreiras estruturais à entrada de novos players, aspectos dinâmicos da concorrência e limites ao poder de mercado.
Afinal por que haveria ou poderia haver preços de capa mais baixos se temos um mercado diminuto, monopólio dos grandes grupos de distribuição que abafam os livreiros, falta de sinergias, falta de cooperativas de autores, etc.
Certo... e chegámos a um ponto chave, a distribuição!
EliminarEsta pode funcionar como "constrangimento", sim e bem o sabemos.
Mas há formas de contornar essa situação, com campanhas de divulgação que criem apetência pelos livros, que explorem a oportunidade e o momento, não restando à distribuição senão saltar para o comboio em vez de o conduzir a seu bel-prazer. Mas, para isso é preciso o que afinal se disse: organização, sobretudo a montante isto é, do lado de quem produz.
Existirá?
Um plano estratégico de comercialização, divulgação e popularização do livro?
Em 1986 quando fui para a Distribuição, o kiwi não se consumia e era uma fruta de luxo (custava cerca de 1000$00 / Kg), porém a Kiwi Authority (uma espécie de câmara de comércio Neo-zelandeza) encetou pela Europa uma forte e agressiva campanha para o consumo daquela que é hoje uma fruta comum e popular... uma das medidas efectivas foi trazer o preço para os 250$00 que fizeram a Distribuição interessar-se.
Este o exemplo que me ocorre, não sei se ilustra o caso que falamos, porque desconheço a estructura de custos e a cadeia económica do sector editorial livreiro, mas tenho quase a certeza de que algo (ou muito!) se poderá fazer no sentido de tornar o livro acessível, desde o IVA a todo o restante da cadeia de valor.
E, tenho a certeza que a responsabilidade não está no autor...
Abraço
Eu, que passei um pouco dos 40, oiço frequentemente dizer que se lê menos do que na minha adolescência. Na verdade, naquele tempo, a oferta era bem menor e a disponibilidade financeira das famílias para comprar livros não era, na maior parte dos casos muita. Tive a sorte de poder frequentar uma biblioteca da Gulbenkian, que ficava a dois minutos da minha casa, e de ter tido alguns professores que nos liam em voz alta. Naquele tempo, embora as alternativas de diversão não fossem muitas, eram poucos os jovens que liam - se assim não fosse, hoje teríamos mais adultos leitores, porque a leitura é um bichinho que fica, ainda que, por força de circunstâncias várias, de vez em quando, se torne mais lento ou hiberne um pouco. Talvez, apesar de tudo, se leia mais hoje, sobretudo literatura de fácil "digestão".
ResponderEliminarouvi: no ano passado, cinquenta por dia | este ano, trinta | NOVOS LIVROS | suponho que na sua maioria edições-relâmpago | pequenas e efémeras | rotativas | e, no entanto, acontece, por exemplo: Silêncio_Teolinda Gersão | porém, a sexta edição, trinta e dois anos depois, não sei, mil exemplares?, dez ou quinze livros por livraria?, é evidente que se lê mais, são muitos mais os que sabem ler, também por consequência se esperaria que muitos mais fossem os amantes da literatura | … numa recente apresentação do seu ultimo livro, nem o João Tordo, com o markting que lhe é disponibilizado, parecia ter para quem e com quem falar, apesar de se ter aproximado de uma postura de stand-up comedy para fazer com que o tempo se escoasse | a edição, para mim, que não consigo entende-la, parece ter recorrido ao modelo da “cauda-longa”, algo parecido com: se algo não se massifica no centro, que se massifique através das infinitas singularidades e particulares dos consumidores | é assim que se vendem milhões de produtos que jamais estiveram em prateleiras, e cujo stock[off] se encontra algures, acessível pelas lojas virtuais | eis que um livro, em inglês, cujo tema é a produção de bolas-de-sabão vendeu, o ano passado, em todo o planeta, cinco mil setecentos e dezassete livros | comprei um | vendas irrisórias numa população de biliões; sorte que a Teolinda Gersão, com um livro[s] admirável, não teve | não percebo rigorosamente nada da edição literária | literária | ou não quero perceber, porque, afinal, a má vida não é do leitor, mas do autor e, esse, sabendo o que sabe, continua a escrever…
ResponderEliminar[markting+ stand-up comedy= stock[off]
_de_
Tem também, no meu entender, muita razão na sua esclarecida análise, Extraordinário Anónimo!
EliminarO marketing livreiro tem de fazer uma análise crítica dos factores, urgente! O merchandising não pode estar a ser feito por publicitários, tem de haver uma estratégia de marketing, o marketing mix tem de ser posto a funcionar!
Exemplo: O que eu disse ontem do livro Portugal, a Flor e a Foice. J. Rentes de Carvalho é um nome, e não precisa de publicidade barata para ser lido, como referi! Aquela estratégia de pôr na contracapa que ele desmistifica Fátima etc. é no mínimo publicidade enganosa! E fica mal tanto á editora que o apresenta assim, como ao próprio autor que não precisa de artifícios... mas vá-se lá explicar isso ao publicitário que se calhar nem o leu!
Saudações do Bairro Ribatejano II
De vez em quando leio livros que entristecem...
ResponderEliminarPorém, de múltiplas e diferentes formas:
Uns dão-me prazer mas a história vai para o tristonho,
outros, muito bem cotados na praça e na critica, não têm história e também isso me deixa triste.
Outros ainda, mal cotados na critica mas muito lidos, também me deixam triste porque são absolutamente vazios.
Conclusão a tirar: a leitura entristece-me... Mas eu gosto de ler. Será que isso faz de mim um masoquista?
Intercâmbio.
ResponderEliminarFico contente que as estatísticas estejam a melhorar e que os portugueses leiam mais livros. Porém vivo numa cidade que não tem uma livraria que seja. As papelarias - poucas - vendem alguns livros; vendem poucos e apresentam pouquíssima diversidade, parece-me vicioso. Existe uma biblioteca municipal que pouca gente frequenta para requisitar livros. Pronto, há alguns livros no supermercado. Mas nunca vi ninguém comprar um que fosse.Sei. Não devemos passar a vida a olhar para o umbigo. Se por acaso a estatística incidisse na minha terra, quais seriam os resultados? Estaríamos melhor que há 10 anos?! Sei uma coisa, estaríamos aquém do resto do país
ResponderEliminarEm Portugal lê-se pouco? se calhar...
ResponderEliminarE em Espanha? e nos Estados Unidos que nem sabem em que continente fica Portugal? Portugal? ah Portugal-Espanha ...pois pois
O Bruce Springsteen e o Bill Clinton sabem, eheheh, estiveram cá a ver os Stones.
EliminarE o Severino, grande leitor, sabe onde fica o Utah, o Iowa, Idaho ou Michigan?
E não vale ir ao Google...
João
Mas sei em que continente ficam os EUA...amigo João; obviamente que não pensaria nem "pedia" que os americanos soubessem onde se situa o Ribatejo, muito menos o Alentejo (este por motivos óbvios)... ou têem dúvidas que a grande maioria dos americanos são uma grande cambada de bimbos (se o meu vizinho tem um Chevrolet 2500 eu tenho de ter um Chevrolet 3500 - é para isto que eles vivem, caríssimos)
EliminarÓ João e olha que não sou um grande leitor; se eu te disser que dos livros que tenho em casa (que nem são muitos) apenas li 20% deles. e ontem quando estive numa biblioteca municipal olhei para as estantes e vi que daqueles milhares de livros de certeza que nem 0,20% eu teria lido, como me poderia considerar um grande leitor?
EliminarElementar, meu caro Severino!
EliminarOs Estados Unidos da América só podem mesmo ficar na América...
Acho giro as pessoas falarem dos americanos como se os usa fossem um país do tamanho de Portugal e como se eles fossem todos burros, that's all!
Abraço.
João
Nem sempre o tamanho conta, meu caríssimo, mesmo do tamanho que são, mesmo já tendo ido à Lua (e eu acredito mas nem todos os americanos acreditam-há até congregações de não crentes lunares) mas mesmo tudo isso continuam a ser bimbos, ou tens dúvidas que a maioria dos americanos são bimbos...então assenta aí - é que um burro carrega de oiro continua a ser burro-
EliminarOlha que eu não disse todos, disse a maioria e a, neste caso, a excepcção confirma a regra, mai nada (finalizo como bom português em vez de that's all-mais uma americanice que nós portugueses, quais patetas passámos a usar por tudo e por nada).. mai nada...
EliminarOk!
EliminarOs americanos são bimbos, burros carregados de ouro (eu, por acaso, até gosto de burros) e eu sou um pateta que usa americanices por tudo e por nada (by the way, o that's all foi propositado eheheh).
Ainda bem que o caro Seve é um homem brilhante e com um português impecável!!!
Bye bye
João
Caro João está a pôr como proferidas por mim palavras que eu não disse; se me ler com atenção verá que não foi propriamente isso que eu disse, não tomei a nuvem por Juno, nem me tomei a mim por burro nem por brilhante ou impecável nem tomei todos por burros; basta um pouco da sua boa vontade para, se quiser, entender isso.
EliminarUm abraço