A louca da casa
Já aqui falei num livro fantástico da escritora madrilena Rosa Montero, intitulado A Louca da Casa, misto de ficção e verdade sobre essa doida que é a imaginação. Pois é a respeito de imaginação que hoje trago uma história, quanto a mim, bem bonita. No último LeV (festival de Literatura em Viagem, realizado em Matosinhos), uma das sessões reunia dois físicos – Carlos Fiolhais e Nuno Camarneiro, o segundo ex-aluno do primeiro – que nos brindaram com uma conversa muito interessante sobre a ligação da ciência e dos cientista às artes e à literatura. Ficámos a saber que também eles dão importância à beleza (mesmo nas fórmulas matemáticas) e ficam felizes quando a hipótese certa é bonita (às vezes, há proposições tão belas que têm de estar certas, digo eu); mas o físico mais velho contou uma história deliciosa de Einstein, que hoje partilho com os leitores do blogue. Interrogado sobre se achava mais importante a imaginação ou o conhecimento, o genial cientista respondeu que, sem qualquer dúvida, a imaginação. E, quando o entrevistador quis saber porquê, explicou esta maravilha: «É que o conhecimento leva-nos de A para B, mas a imaginação leva-nos de A para todo o lado.» Quem sabe sabe.
Não poderia estar mais de acordo... ou talvez não: será que haverá lugar à imaginação onde não há conhecimento?
ResponderEliminarEu, que tenho uma imaginação compulsiva, não poderia concordar mais. E, tendo já escrito um romance histórico, em que tive de recorrer à pesquisa e ao conhecimento, obtenho sempre o triplo do gozo a inventar. O que é, também, uma forma de viver em duplicado ou de experimentar vidas alternativas.
ResponderEliminarUm bom fim de semana! :-)
e quem diz a verdade...
ResponderEliminarAinda por cima ainda aí uma série nova do Cosmos com uma nave da imaginação toda catita...
ResponderEliminarExpor assunto a escritores trata-se de uma coisa, anedota outra e com relação "A louca da Casa" mora ao lado.
ResponderEliminarBem quando a entrevista destaca um Doutor o tema evolui sendo que leio constantemente artigos do professor Carlos Fiolhais atualmente gerenciando a Editora Gradativa (com ênfase) de conhecimento científico aliás parabéns do exemplo que dispensa palavras, quanto a Nuno Camarneiro trata da Arte Conceito a forma poética.
Vale reforçar que os Cientistas de Pé desenvolvem excelente perspectiva e com David Marçal marcando presença na próxima Feira do Livro em Lisboa.
Atenção
EliminarOs Cientistas de Pé e
ZUVI ZEVA NOVI
Gosto tanto das histórias que leio por aqui:))
ResponderEliminarBom fim-de-semana a todos!
Cláudia Moreira
a imaginação antecede o conhecimento | cientifico | e de tal modo o completa, depois, que é, em si mesma, conhecimento | individual sobre_tudo | como nenhum outro | livre
ResponderEliminar_de_
Também se dizia das raparigas: as boas vão para o céu e as más para todo o lado.
ResponderEliminarexcertos da "LOUCA DA CASA" - (grande, grande livro!)
ResponderEliminar-Um mundo sem livros é um mundo sem atmosfera, como Marte.Um lugar impossível, inabitável.
-os famosos transformam-se às vezes em tartarugas de barrigas para o ar
-A morte é uma descoberta dos quarenta, porque em jovem, a morte é sempre a morte dos outros.
Extraordinário ASeverino:
Eliminar- Qualquer mundo tem uma atmosfera própria. Sempre habitável para quem nele consiga sobreviver.
- Tartarugas de barriga para o ar, somos todos. Os que sobrevivem à posição ficam famosos.
- Aos quarenta descobre-se a morte. Mas os cinquenta...ah, os cinquenta!...fortalece-se-nos o peito e quando ela quiser que venha.
Apeteceu-me comentar as citações. O livro (ainda) não li.
Um abraço
-
E bem comentado, Caro João Madeira.
EliminarEu gostei do livro (A LOUCA DA CASA), tal como já havia gostado de "INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO" e "HISTÓRIA DO REI TRANSPARENTE", da mesma autora.
Bom fim de semana
adorei: "Mas os cinquenta...ah, os cinquenta!... fortalece-se-nos o peito e quando ela quiser que venha".
EliminarFrase de que me lembrarei muitas vezes nesta travessia dos cinquenta. Não deviam ter inventado essa coisa de contarmos os anos.
Porquê? o corpo sente a idade que tem, que mais dá contá-la ou não?! Além disso tem um lado bom o facto de podermos contar os anos, é mais uma oportunidade para agradecermos à vida ainda a termos. Podermos estar. Com alguma saúde e o resto que formos conseguindo.
EliminarAh sim, a invenção de uma hipótese científica é um acto de estética. Não é propriamente o resultado verdadeiro que se deseja, mas o mais belo. A diferença em relação à arte é que o cientista tem de aceitar qualquer resultado que seja suportado pelos dados, mesmo que feio. Há um romance muito interessante sobre este tema, chama-se ... Ah, espera, não está publicado.
ResponderEliminarQue bonito e verdadeiro, "a imaginação leva-nos de A para todo o lado". E sem imaginação não havia ciência. A ciência é a intimdade da razão imaginativa sobre o mundo que existe. Digo eu.
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