Abrilada
Em véspera de feriado (fim-de-semana grande, para variar), meto o nariz em vários livros para ver se levo algum comigo para estes três dias livres que se avizinham. E, bom, reparo que, à beira de o 25 de Abril fazer 40 anos, saíram várias obras que tocam a matéria de diversas formas. Já aqui falei há uma semana ou mais em Os Rapazes dos Tanques (para ler e ver, porque as fotografias são geniais), mas há que referir também Os Memoráveis, de Lídia Jorge, romance que fala da revisitação da festa por alguém nascido muito mais tarde e noutro país; e também, pois então, a colectânea de poesia de Manuel Alegre cuja selecção aponta para a nossa revolução e se chama País de Abril. Mas não é tudo, porque também aliciante é A Flor e a Foice, de Rentes de Carvalho, publicado há muitos anos na Holanda e agora disponível igualmente para os leitores portugueses (o título, de resto, é suficientemente eloquente para podermos relacioná-lo logo com a efeméride); e, por último, Luísa Lobão Moniz, professora do primeiro ciclo há uma eternidade, produziu um livro para crianças intitulado A Escola dos Cravos, para ensinar aos mais pequenos como era a escola antes do 25 de Abril. Há-de haver outras coisas, evidentemente, sobretudo na área do ensaio, mas estou já demasiado indecisa, sem saber se me faço acompanhar por algum destes e como vou desempatar. O mais certo é levar a abrilada toda comigo de fim-de-semana. Uma Páscoa cheia de cravos, porque não?
Só não gosto do título do post: Abrilada e Vilafrancada são nomes de golpes de estado feitos por D. Miguel para impor o absolutismo.
ResponderEliminarTem razão. Ainda pensei chamar-lhe Abrilice », mas não tinha a mesma força...
EliminarNem abrilada dos libralecos absolutecos , nem abrilices dos ppdsecos cdsecos, psecos , talvez Abril de boa memória que nos livrou da vil tristeza: miséria, guerra colonial - agora há uma profunda falta de memória...
EliminarEstou a ler "A Flor e a Foice" e é extraordinária a lucidez do escritor Rentes de Carvalho a escrever em 1975 sobre a História (sem romantismos) de Portugal. A visão que tinha na altura é impressionante. Só mesmo para quem estava fora do país e conseguia ver de fora tudo como um todo. Antes do 25 de Abril devo ter o livro todo lido.
ResponderEliminarBoa Páscoa a todos!
A Flor e a Foice é um livro que tenciono comprar Feira do Livro. Já o folheei na Fnac e parece-me muito interessante.
ResponderEliminarvou levar, "Portugal, a Flor e a Foice".
ResponderEliminarestou curioso com esta história de Abril (tão mal amada e quase censurada...).
Tenho vontade de "Os Memoráveis" mas também, ou ainda mais, de "A Flor e a Foice", até porque Rentes de Carvalho é um autor que embora tardiamente descoberto (por mim, entenda-se), se revelou uma verdadeira surpresa, daquelas que surpreendem mesmo. "La Coca" é mesmo muito bom. Boa Páscoa.
ResponderEliminar"COM OS HOLANDESES" é também um excelente livro; um excelente livro sobre as pessoas (por acaso holandeses).
EliminarA Quinta-feira dos Pássaros
ResponderEliminarEu queria mesmo era não ler. Queria antecipar a data e poder andar como há 40 anos na alegria das ruas, a encontrar as pessoas que nunca vira com sorrisos tão contentes como não me lembro senão nesses anos gloriosos; queria ouvir de novo os convites para entrar e comer do que havia, as casas dos mais pobres escancaradas a quem passava. Queria, enfim, que houvesse ainda o sonho.
ResponderEliminarO mais curioso é que os "cravos" celebrizaram precisamente a "abrilada" sublevação militar absolutista em que os aderentes se identificavam com um cravo.
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