Templos do livro

Leio num artigo da Internet que quarenta e quatro por cento dos holandeses são ateus. Existem vinte e oito por cento de católicos (que são a maioria dos crentes), dezanove por cento de protestantes, cinco por cento de muçulmanos e os restantes quatro por cento pertencem a outros credos e seitas. Porém, a maioria dos não ateus frequenta muito pouco a igreja e os outros locais de culto, sobretudo os católicos que, ao que parece, desde que Bento XVI fez um discurso homofóbico que os deixou de cabelos em pé, se zangaram e desistiram de ir à missa. Resultado: as instituições religiosas deixaram de ter fundos para manter os seus belos edifícios (sem fiéis e sem esmolas ficou difícil) e tiveram de alienar alguns deles, que se tornaram bares, cafés, livrarias e até salas de concerto. Em Amsterdão, por exemplo, uma igreja do século XIX transformou-se num templo de música pop e rock muito badalado, e em Maastricht outra belíssima igreja deu lugar à livraria Selexyz, uma das mais belas do mundo, cuja fotografia deixo aqui em baixo. Talvez esta transformação signifique o fim de uma época, mas não é mau que haja templos tão belos para o livro.


 


Comentários

  1. claro que não.

    é um bom uso, sem dúvida.

    é preciso é que não faltem "crentes". :)

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  2. sabemos que os holandeses, de há longa data, sentem e praticam um liberalismo [económico’social’cultural] tão destacado que chega a possuir configurações vanguardistas e libertárias | o nosso Padre António Vieira, perante a invasão Holandesa de Salvador, no Brasil, chegou a sentir-se “confuso”, defendendo que lhes entregássemos a região || não podendo de certo adivinhar que destino teriam, séculos depois, a maioria dos templos Holandeses | de entre as hipóteses possíveis [todas] talvez a menos pagã seja consagrar a catedral a todas as escrituras, a todos os livros | ao culto politeísta, portanto

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    1. Sim Extraordinário Miguel, o que me espanta é haver uma maioria católica, quando por tradição (achava eu) são protestantes!

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  3. Muito mais modesta, mas a Igreja de São Tiago (ou Santiago) em Óbidos (ao cimo da rua principal) já fez o mesmo. É mais perto, é nosso e vale a pena a visita.

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  4. Mau não é. E como é lindo este cenário com livros! Mas há-de ser bem frio, que as igrejas primam pela grandeza e altura de abóbadas. Só no verão apetece frequentar tais lugares.

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    1. Beatriz, as igrejas, na Alemanha, têm aquecimento. Não conheço o caso holandês, mas é possível que sim. Não consigo imaginar, por estas latitudes, um qualquer edifício (principalmente, usado para fins comerciais) sem aquecimento.

      As bibliotecas também são aquecidas. E as escolas (não só as salas de aula, como todos os corredores, átrios e as casas de banho).

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    2. Frios parece que só os holandeses.

      Já leram "COM OS HOLANDESES" do (excelente) escritor J.Rentes de Carvalho? vale a pena.

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    3. Olha que boa ideia:) desconhecia. Muito obrigada pela informação. Se fora em Portugal, já estava tudo desligado há séculos.

      Mas, ainda assim, e relativamente a igrejas, como se aquece um incomensurável daqueles? Deve apenas ficar menos frio.

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    4. Cara Beatriz, é verdade que fica apenas menos frio, se bem que, em igrejas mais pequenas, seja possível uma melhor climatização. Por outro lado, é bom que seja assim (que se fique pelo "menos frio"), aliás, a questão "quão quente deve ser uma igreja" ocupa os responsáveis destas paragens, tanto católicos, como protestantes. A igreja é um local que se quer austero, não é necessário que comecem todos a tirar os casacos ;) Mas também não devemos esquecer a tortura que seria passar uma hora entre o ajoelhado e o sentado, com temperaturas negativas, sobretudo, se considerarmos que talvez a maior parte dos frequentadores sejam idosos. E quem consegue prestar atenção aos sermões e homilias, se a principal preocupação é querer regressar a casa, a fim de aquecer os pés e as mãos gelados? ;)

      Acrescento que, pelo menos, na Alemanha, há preocupação em arranjar sistemas de aquecimento ecológicos, que não gastem muita energia, ainda há pouco tempo li um artigo sobre isso num jornal.

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  5. Claudia da Silva Tomazi19 de fevereiro de 2014 às 04:09

    Bela metáfora "templo do livro".

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  6. Bento XVI fez um «discurso homofóbico»?! Quando? Onde?

    Agradecia a indicação de uma fonte, de uma ligação, que o comprovasse (ou não).

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  7. Assim, à primeira vista, sem pensar, esta situação de uma livraria no espaço de uma igreja parece-me incongruente. Haverá algum caso de antigos espaços de livraria ou de biblioteca usados como lugares de culto religioso?

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    1. Não sei de livrarias ou de bibliotecas.. mas sei de cinemas: o Império, por exemplo.

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    2. É verdade, o Império... de cinema a igreja... não me parece tão incongruente...

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    3. Não sei:) mas na minha terra havia missa na escola;
      não deve servir como exemplo.

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    4. Todas essas mudanças me parecem motivadas por critérios de utilidade... Eu olho para isto talvez antes de um ponto de vista estético... Um disparate: se eu fosse livros, acho que não me sentiria confortável em lugares que tivessem sido de culto religioso...

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    5. Ah não... Extraordinária Almira!
      Igreja? A IURD????
      Pelo contrário passou de cinema a um local onde também há fitas... tem tudo a ver!

      Respeito as religiões ou credos, mas não tanto estas seitas!

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    6. Compreendo-a perfeitamente... mas pela minha parte e com as reservas que fiz, aceito um espaço de cultura e respeito, como uma livraria.

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    7. Talvez eu tenha usado a palavra igreja no seu sentido etimológico que é o de 'assembleia de crentes' ou coisa parecida...

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    8. Adenda: O «coisa parecida» refere-se aos crentes.

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    9. mas a leitura parece-me tanto uma coisa meia mística...há uma transcendência do sujeito no objecto que é mais que pura fenomenologia. Habitar um lugar sacralizado por rituais seria uma honra.

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    10. Não entendo a leitura assim. Seja como for, não estava a pensar na leitura, mas em lugares habitados por livros. E olho um "templo" apenas como espaço, arquitetura ... Quando muito, parecem-me ser duas poéticas muito diferentes: a do templo e a do livro.
      Mas isto são só complicações de coisas simples como a de haver um templo devoluto e uma livraria a precisar de um espaço. Pois que a livraria utilize o templo e está o caso arrumado, não se fala mais nisso.

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  8. Que eu conheça, o templo mais belo para o livro é o coração.

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  9. Vou fazer uma declaração... impõe-se:

    - Confesso-me religioso... mesmo crente!
    Creio, into por observação do que me rodeia, que há Algo, uma ordem do Universo que nos pôs aqui para alguma coisa e alguma razão, e que fazemos parte de um grande todo Universal ou Cósmico.
    Chamem-lhe karma, kabala, desígnios divinos, lei da causa e do efeito, leis cósmicas... o que queiram, mas que existe: Para mim, sem dúvida!

    Não sou místico! Pelo contrário, sou muito terreno e até físico, todavia sou sensitivo.
    Sou católico porque é a religião em que fui criado e foi a de meus pais e avós, caso tivesse nascido em Bagdad seria muçulmano e por aí fora.

    Tenho absoluto respeito por todas as religiões, que por curiosidade e ânsia de saber tenho tentado conhecer, e encontro muitas afinidades entre elas... tenho também a noção de que religião e interpretação que dela fazem os homens são coisas muito diferentes!

    Acredito que um dia em que seja presente a esse Alguém/Algo não me vão perguntar em que Igreja eu rezava e sim se tentei ser um homem justo... ao que terei de responder que cheguei a tentar!

    Ora posto isto, esclareço e espero não chocar ninguém, que a mim me não choca nada ver uma Igreja (local de culto, portanto sagrado) transformado num outro local de culto... seja das artes, como de uma livraria, escola, sala de aula, espaço de cultura ou algo no género.

    Acho até útil! O caminho certo numa certa visão pragmática das coisas, que a própria Igreja deveria ter, adaptando-se e evoluindo no que tivesse de evoluir, acompanhando os homens.

    Já me choca pensar que possa ser transformado num local de divertimento, não pelo divertimento se este fosse são, mas porque esse divertimento trás muitas vezes consigo o aviltamento e as mais baixas vibrações do ser humano: drogas, bebedeiras, prostituição, desregramento, violência.

    Saudações kaluandas

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    1. Claudia da Silva Tomazi19 de fevereiro de 2014 às 12:04

      Meu amigo André tinha um cavalo de salto lá nem era tão bom o Kilimanjaro.

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    2. Oh! veio-lhe de novo a dislexia! Que pena.

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    3. Claudia da Silva Tomazi20 de fevereiro de 2014 às 03:33

      Obviamente interessa-lhe o assunto. Que bom!

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    4. Hum... não era a pitonisa que falava por enigmas?

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    5. ah, ah, ah....eu também sou disléxica só às vezes.

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  10. Claudia da Silva Tomazi19 de fevereiro de 2014 às 06:32

    Primeiro está construção e fruto de realidade divergente (algum conflito a época).




    Segundo reflete sede:

    a) de conhecimento a histórica Leiden

    b) o feito humanista de Erasmo

    c) nuance de Van Gogh



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  11. Já estive na Selexyz e de facto é belíssima em alguns aspetos . Mas, pelo menos para mim, está longe de ser a mais bela. O mundo tem 5 continentes.

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  12. Já dizia Sena:

    Possivelmente, meu Deus, a vossa existência não passa
    de uma piedosa mentira com que vos embalam os homens
    (e tanto vos embalaram, meu Deus, que respirais tranquilo
    nos braços destes milhares de gerações sofrendo a vossa
    vinda.

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  13. Outras duas bem bonitas: http://vespaaabrandar.blogspot.pt/2012/05/as-mais-belas-livrarias-do-mundo.html

    A do teatro também é magistral.

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