Especulação
Publiquei aqui há tempos um post sobre Herberto e o seu livro novo que teve imensos comentários dos extraordinários habitués deste blogue e não só. Nele, contava que havia pessoas a comprarem o Servidões aos cinco e aos seis na Feira do Livro, provavelmente para amigos e familiares, sabendo que, com uma tiragem tão contadinha, o dito se esgotaria em três tempos. Foi mais ou menos o que aconteceu, claro, e a obra desapareceu rapidamente dos escaparates para pena de muitos apreciadores do mestre que não chegaram a tempo de adquirir o seu exemplar. Mas não nos iludamos: esses livros comprados aos magotes aqui e ali não foram apenas para leitores sedentos de meter o nariz no último Herberto. A verdade é que, como também aqui foi dito e previsto, muitos deles estão agora à venda a preços absolutamente estonteantes (120 Euros, por exemplo) em certos alfarrabistas que perderam umas horitas em filas quando Servidões começou a ser vendido, mas deram esse tempo por bem empregado, já que lhes bastará vender um ou dois exemplares aos consumidores mais relapsos para, afinal, facturar uma bela maquia. Acho que deviam contar a Herberto que a sua mania das tiragens curtas dá azo a este tipo de especulação, quanto a mim, nada bonita. Pode ser que ele entenda que é parcialmente responsável pela situação e se deixe de fitas da próxima vez que publique um livro.
Absolutamente de acordo!!!
ResponderEliminarNão com a prática - entenda-se - mas como o alerta!
ResponderEliminarTambém aqui comentei, nesse mesmo post (se não estou em erro) que Herberto é um poeta digamos que diferente (com um certo numero de manias, mantendo por ele todo o respeito) e que essa mesma "diferença" faz dele quase um lenda viva, alimentada muito pela editora que revê ali um mito de fazer dinheiro e vender poesia à séria. Este tipo de cenário provoca, claro está, a mente dos chamados chicos espertos que ali vêem uma forma de encher a carteira e, sem querer, alimentar ainda mais tal diferença. Mais estranho se torna este fenómeno quando o homem ainda está vivo... Mesmo fechado para o mundo de verdade, vivo... Enfim, é o que temos.
ResponderEliminarps. Não acredito que o poeta se incomode com tais feitos, isto claro, a julgar por tudo o que tenho lido dele. Uns facturam de uma maneira, outros doutra.
Um abraço extraordinário a todos os que aqui passam e alimentam este "nosso" espaço.
Carla Pais
Peço que me perdoem esta pedrada que vou lançar, fruto, confesso, da minha absoluta ignorância (disso estou ciente) mas o que é certo é que não compreendo este "alvoroço" sobre o HH . Pergunto-mas alguém neste país, tirando meia dúzia de pessoas -uma absoluta excepção conhecem um verso, um sequer do HH .
ResponderEliminarQuantas pessoas deste país, e refiro-me às que lêem conhecem um verso do HH ? quantas? se calhar nem 5% das que lêem e atenção que me estou a referir às que lêem habitualmente. Mas quem é HH ? não basta meia dúzia de pessoas para dizerem que é o maior. O'Neill, Aleixo, Pedro Homem de Mello, Camões, Florbela Espana e mais alguns são poetas que toda a gente conhece pelo menos um ou outro verso, agora de HH - mas quem é afinal HH ? ou ele não quer que se saiba????
Há manias que não se mudam, adaptam-se - estava a lembrar-me de um "antigo" que tudo o que comprava não deixava ninguém mexer. «Para não se estragar!», dizia.
ResponderEliminarE então fosse a máquina de filmar fosse a máquina de cortar relva, nem a utilizava nem o jardineiro lhe mexia.
Trazia uma de casa, enquanto a outra ficava tapada a se tornar "antiga". Uma espécie de comédia de deus!
Sim, manias... Sabe-se lá o que se passa na cabeça das pessoas...
EliminarEnfim, cada um sabe de si e não me parece que o poeta em questão irá entender coisa nenhuma, por mais que lhe expliquem. Aliás, ninguém tem de lhe explicar nada. E se os livros dele atingem preços exorbitantes, assim tipo peça de coleção, é porque há quem os compre.
Pois eu não tenho nenhum livro dele, nem faço tenções de comprar, muito menos, por 120 Euros! O que, aliás, não tem a ver com HH, particularmente, mas com a minha preferência pela prosa.
Nota curiosa (e porque eu sou um pouco como o António Luiz Pacheco e gosto destes insólitos): HH é a matrícula alemã de Hamburgo, as iniciais de Hansestadt Hamburg.
Hansestadt - cidade hanseática
E tunga, vá de puxão de orelhas ao HH!
ResponderEliminarAhahah!
Realmente Cristina, isto do HH pode ser Holland & Holland também... eheheh!
Camarada Extraordinário Severino: - O'Neill, Aleixo, Pedro Homem de Mello, Camões, Florbela Espanca, Régio, Pascoaes, Guerra Junqueiro, Sá Carneiro (o Mário...), Gedão, e, Pedreira, Centeno, Senna não vale a pena desfiar aqui as selectas literárias escolares, sei quem são e até li por gosto ou obrigação, mas realmentede HH nunca li nada, confesso...
Saudações kaluandas!
Mas também
Curiosamente saiu no DN de Sábado, no destacável Quociente de Inteligência, um extenso artigo sobre HH (em tempos houve um JJ no Vitória de Setúbal) que dá umas achegas ao seu estilo. O estilo da escrita também é referido, mas se bem compreendi a preocupação do poeta é que não exista de todo. Um caso interessante, sem dúvida, e deve ser um admirável casmurro. Achei interessante que ninguém referisse Pessoa nas listas de poetas consensuais: outro que viveu basicamente metido com ele, ou com as diferentes versões dele.
ResponderEliminarTem razão Extraordinário Paulo Oliveira!
ResponderEliminarMas, pela minha parte nunca me lembro de pessoa como poeta... para mim ele é bem mais do que isso, é outra coisa...
Talvez um dia lhe conte, mas não convém divulgar para não me chamarem maluco, ou julgarem alucinado...
Fiquei - ficámos?! - curiosos.
EliminarDecididamente ficámos curiosos, mesmo muito curiosos...
Eliminar:)
Antonieta
Fiquei a magicar no estilo. Dêmos a palavra ao visado, precisamente n' Os Passos em Volta: "o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental duma unidade de significação". Entenderam? Ele depois explica, mas é melhor lerem: tudo começa por não aguentarmos a estuporada da vida e tentarmos, de algum modo, sistematizá-la. Eu gosto disto, mesmo se não entendo verdadeiramente.
EliminarOra ainda bem!!!!
EliminarO que seria da vida se não tivéssemos respostas por responder???? Uma coisa sem interesse...
Não há nada como manter o mistério e manter a especulação (de idéias!)...
Se A.Gedeão, pela profundidade da sua poesia que mostra um saber das coisas, das pessoas e dos elementais, muito para além da sensibilidade do poeta, me parece um iniciado, ele que era um sábio, justamente um filósofo e um químico (alquimista) que escreveu a pedra filosofal
Se não acredito que Luiz Vaz, que mostra uma profunda cultura diversificada e clássica, fosse só um truão e um soldado da Índia e conseguisse escrever os Lusíadas - e há quem se dedique ao mistério de Shakespeare... sem atentar neste outro?
Mas, Pessoa era um mago... mais do que um iniciado ou místico, ele foi um mago. E, poucos sabem de certos episódios da sua vida como a correspondência com um misterioso mago inglês.
Escreveu poesia, sim, mas muito para além dela!
Por isso não o olho apenas como poeta.
E mais não digo... ficam os desafios a estes Extraordinários Comparsas que investiguem, e se
informem, leiam...
Desculpem lá esta traça tonta e ofuscada pela luz!
Ora ainda bem!!!!
EliminarO que seria da vida se não tivéssemos respostas por responder???? Uma coisa sem interesse...
Não há nada como manter o mistério e manter a especulação (de idéias!)...
Se A.Gedeão, pela profundidade da sua poesia que mostra um saber das coisas, das pessoas e dos elementais, muito para além da sensibilidade do poeta, me parece um iniciado, ele que era um sábio, justamente um filósofo e um químico (alquimista) que escreveu a pedra filosofal
Se não acredito que Luiz Vaz, que mostra uma profunda cultura diversificada e clássica, fosse só um truão e um soldado da Índia e conseguisse escrever os Lusíadas - e há quem se dedique ao mistério de Shakespeare... sem atentar neste outro?
Mas, Pessoa era um mago... mais do que um iniciado ou místico, ele foi um mago. E, poucos sabem de certos episódios da sua vida como a correspondência com um misterioso mago inglês.
Escreveu poesia, sim, mas muito para além dela!
Por isso não o olho apenas como poeta.
E mais não digo... ficam os desafios a estes Extraordinários Comparsas que investiguem, e se
informem, leiam...
Desculpem lá esta traça tonta e ofuscada pela luz!
Ora ainda bem!!!!
EliminarO que seria da vida se não tivéssemos respostas por responder???? Uma coisa sem interesse...
Não há nada como manter o mistério e manter a especulação (de idéias!)...
Se A.Gedeão, pela profundidade da sua poesia que mostra um saber das coisas, das pessoas e dos elementais, muito para além da sensibilidade do poeta, me parece um iniciado, ele que era um sábio, justamente um filósofo e um químico (alquimista) que escreveu a pedra filosofal
Se não acredito que Luiz Vaz, que mostra uma profunda cultura diversificada e clássica, fosse só um truão e um soldado da Índia e conseguisse escrever os Lusíadas - e há quem se dedique ao mistério de Shakespeare... sem atentar neste outro?
Mas, Pessoa era um mago... mais do que um iniciado ou místico, ele foi um mago. E, poucos sabem de certos episódios da sua vida como a correspondência com um misterioso mago inglês.
Escreveu poesia, sim, mas muito para além dela!
Por isso não o olho apenas como poeta.
E mais não digo... ficam os desafios a estes Extraordinários Comparsas que investiguem, e se
informem, leiam...
Desculpem lá esta traça tonta e ofuscada pela luz!
Caro e extraordinário António Luiz Pacheco,
EliminarEstamos então a falar dos encontros de Pessoa com Aleister Crowley na Boca do Inferno, e do misterioso desaparecimento do mesmo não se sabe muito bem onde?
Eu estava era à espera que nos contasse mais coisas sobre o assunto...
:)
Antonieta
Certo!
EliminarEu logo vi que a sua curiosidade era tudo menos inocente...
É um tema fascinante não é?
Claro que não é segredo e nem ignorado pelos que se interessam pela personalidade tanto quanto pela sua obra, mas a maioria, de facto só lhe conhece a poesia.
Ainda me vão chamar de louco...
Se soubesse o que eu suspeito sobre Edgar Rice Burroughs (sim o do Tarzan) e mais depois de ler o seu "Carson"... mas de facto não são conversas para aqui, são conversas para se ter com os sapos daquele nosso outro Extraordinário comparsa ou da mais Extraordinária Cristina Carvalho.
Estamos juntos, como se diz por aqui... fique bem!
Ninguém sabe quem é o HH ? Será mesmo assim?! Será que os portugueses (que gostam de ler) apenas sabem quem é o JS ?! Eu, sem ironia e sem falsa modéstia, não consigo apreciar poesia (de um modo geral). Não tenho muitos livros na minha estante, não sou viciado em livros, no entanto ainda tenho 2 do HH (forma deselegante de se escrever Herberto Hélder).
ResponderEliminarGostava de comprar «os passos em volta» (que não são poemas) e não os encontro em lugar algum, nem sequer em lojas virtuais.
Por acaso o único livro que eu tenho do Herberto Helder é precisamente Os Passos em Volta.
EliminarÉ a 8a edição, de 2001, e tem uma capa cor de laranja.
Tenho muitos poemas dispersos, e o cd «Os Poetas» do Rodrigo Leão, onde o Herberto diz 2 dos seus poemas de forma magnífica.
Quanto me preparava para comprar o «Servidões», apesar de o achar muito caro (22€), fui confrontada com a notícia da edição esgotada...
Portanto, e no que ao HH diz respeito, não tenciono comprar mais nenhum livro, e acho toda esta história uma tristeza.
Antonieta
Tenho um! - posso vender-lho por 150 €!
EliminarOlá JMD!
EliminarNão sei se vai conseguir fazer negócio (eheheh), mas arranjou mais uma leitora.
Fui espreitar o seu «lugaronde» e gostei muito!
:)
Antonieta
:-) 150 euros? Hummmm ! Vou falar com o meu banco.
EliminarAssim mesmo!
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