Sempre a pedalar

Normalmente, a palavra «oportunista» tem uma carga negativa, mas no caso do livro que hoje me traz, gostaria de a virar para o outro lado. Enquanto Lisboa Arde, o Rio de Janeiro Pega Fogo, de Hugo Gonçalves – uma narrativa sobre um português imigrado na Cidade Maravilhosa e escrita com um ritmo que combina na perfeição com o protagonista que se farta de pedalar –, é mais do que oportuno, é oportunista no bom sentido! Não só fala de um português desempregado que se viu obrigado a viajar para fora da pátria (mas com a pátria continuamente dentro de si), como o introduz numa intriga altamente imaginativa, que inclui o manuscrito de uma mulher entretanto morta e a busca do seu antigo amante, um agente da PIDE que, depois do 25 de Abril, se exilou no Rio e andou a tentar passar despercebido. É esse manuscrito que o português leva consigo no avião, aceitando um trabalho no Brasil de um editor que outrora amou a autora do livro (mas, já se sabe, foi preterido) e cruzando-se com figuras esquivas e por vezes desaconselháveis, gente dos dois sexos e várias nacionalidades. Pelo meio, uma história de amor profunda e muito ternurenta, reflexão bastante sobre assuntos sérios e, claro, saudades de Portugal.


 


Comentários

  1. por casa daquilo... gosto desta capa.

    a temática é a de sempre, deste Portugal que não consegue largar o passado...

    já li um livro do Hugo, muito estranho (para mim claro)o, de um mundo sem mulheres (não me lembra o título...) e não gostei muito, parecia quase ficção cientifica.

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  2. Mais um que me parece muito interessante; e já agora a propósito de portugueses no estrangeiro, ouvi esta manhã, numa interessante rubrica do programa da manhã da Antena 1, sobre Portugueses no Estrangeiro, rubrica que passa diariamente cerca das 7h15, da boca dum empresário MD (assim se definiu ele), entre os muitíssimos estrangeirismos que a cada palavra soletrava, vomitou esta pequena pérola: se fosse eu que mandasse obrigava todos os portugueses a sairem para o estrangeiro pelo menos 6 meses, porque isto é que é cultura (andar de avião) porque isso de ler livros era no tempo dos nossos pais, agora é andar de avião e assim se adquire cultura...é o que eu digo, cada pessoa que conheço ensina-me sempre qualquer coisa.. tou sempre a aprender...até com os empresários de sucesso (MD's e não só...)
    Haja Deus...m'acuda...

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    1. Chocante. E o pior é que os ue estão acima desses também são assim...

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    2. Quase não tenho comentários para o brilhantismo destes "top sucesso"... Um dia destes andamos todos de avião e rezamos por encontrar o livro que nos ensine a voltar a andar a pé...
      Mesmo a viver no estrangeiro continuo a consumir muitos e muitos livros portugueses e não os trocava por nada... Cada um deles já me levou onde avião nenhum levaria, mas isto sou eu e a minha reles ignorância a falar...

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    3. Também ouvi e também me sobressaltei. Andar de avião e ler livros é que era! MD acho que era Management Director" ou coisa similar. No entanto, o nosso "português no estrangeiro" de hoje acrescentou que MD era o equivalente, na Nigéria, a um CEO em Portugal, não fossemos pensar que era ladrilhador. Só faltou dizer que, em português, MD diz-se CEO .

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    4. Ler era para os nossos pais, quando se nasceu no seio de uma certa burguesia (uso o termo não num sentido pejorativo). Os nossos pais, quando eram do povo como o meu, tinham a quarta classe ou menos, trabalhavam de sol a sol e nunca lhes foi oferecido um livro. O primeiro livro que me ofereceram, tinha eu doze anos... tive a sorte de gostar da experiência e de me esforçar por ler mais. A propósito: tratava-se de um livro da colecção "Os Cinco".

      Falei do povo mas o mesmo se aplica a grande parte da "aristocracia": não tem hábitos de leitura, isso não faz parte dos seus valores. Um deles é o 2º conde de Alferrarede, um tal de Pais do Amaral, fundador da Leya. Ouvi-o eu mesmo dizer na televisão que os livros só lhe interessavam enquanto negócio. Estaria a pensar em popularizar a Leya e vendê-la a seguir mas a crise instalou-se e a altura não é propícia. Entretanto, comprou editoras de livros de qualidade literária muito duvidosa (mas best-sellers) e outras melhores, que foram perdendo qualidades. As chancelas mais prestigiadas do grupo, é o que se vê: desde a contínua descaracterização e perda de qualidade da D. Quixote ao emagrecimento da Caminho, que cada vez publica menos livros e vai abdicando de alguns dos seus melhores autores.

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    5. Cá para mim você você fez confusão com o Portugalex... Inacreditável.

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  3. António Luiz Pacheco17 de abril de 2013 às 03:01

    Acredito que será um livro interessante, por oportuno, actual e espero que... sentido!
    O ser sentido é talvez uma das qualidades que tantas vezes noto faltar em obras de autores renomados, mas que não vivem ou viveram o que escrevem. Fazem-no em género de reportagem, e francamente acho-as vazias, sem alma.
    Creio que muitos autores actuais e a despeito de andarem de avião como esse indivíduo preconiza, escrevem baseados em coisas que leram ou viram em filmes, e, se foram ao local ver, estiveram lá uma semana ou duas, deram umas voltas de táxi, instalaram-se num hotel confortável e depois acreditam ter respirado e suado aquelas coisas.
    Como a maioria dos leitores também só anda de avião e vê cinema ou TV, estão sintonizados nessa mesma modulação, e aceitam...
    Talvez por isso, eu gosto tanto de ler biografias e já estou à espera, ansioso, pela biografia de João Freudenthal (da Prússia a Luanda), que já pedi à sua filha Joana me o enviasse assim o tivesse!
    Aposto que será um grande livro... e que pena tenho não haja mais dessas memórias... Ainda há dias estive na Quibala com os irmãos Raimundo, antigos fazendeiros e colonos, octogenários patuscos, últimos sertanejos que permanecem agarrados à terra que consideram deles, e com histórias do arco-da-velha, que dão para rir e chorar mas são espantosas como testemunho da nossa gente e do que os portugueses são capazes!
    Estimo que este livro seja desses e que surjam outros... já basta de lamentações e depressões!

    Saudações do Planalto Central

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  4. Quero ler este livro! O Rio é a minha cidade preferida, nos últimos anos tem sido mesmo o meu único destino de férias. Acho que nada li do autor, mas fiquei muito curioso. E gostei da capa...

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  5. Nem de propósito! Acabadinho de ler, hoje mesmo. Aqui, a minha leitura http://adasartesleituras.blogspot.pt/

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  6. Ainda a propósito do tal MD da Nigéria, achei bizarro ele dizer que não se pode sair de casa a pé, só de carro e com seguranças, e que come sempre frango ao almoço e ao jantar...
    Ainda assim, pensa ficar por lá uns bons anos (e não apenas os tais seis meses que \"recomenda\" aos outros).
    Talvez lhe dê para ler uns livritos, ainda que de culinária...

    Antonieta

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  7. E já viu Antonieta - são "morcões" daquela massa que "governam" as nossas empresas e não só...

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  8. Tem razão Severino.
    E sabe o que é engraçado?
    Estão \'todos\' lá na Feira do Livro de Bogotá!
    Será pelos livros?
    Será pelo avião?
    Ah pois, é pelos negócios...

    Antonieta

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  9. Tem razão Severino.
    E sabe o que é engraçado?
    Estão \'todos\' lá na Feira do Livro de Bogotá!
    Será pelos livros?
    Será pelo avião?
    Ah pois, é pelos negócios...

    Antonieta

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    1. Ora que bem visto, Antonieta!

      Obviamente que aquela gente não se guia pelos livros mas sim pelo cheiro (do lucro), tudo para aquela gente é mercadoria, começando pelo manequim da rua dos Fanqueiros.

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  10. Fernando Mota Miranda21 de outubro de 2016 às 04:56

    Gostei de ler as referencias aos irmãos Raimundo e saber que em 2013 ainda estavam vivos.
    Conheci-os na Quibala nos anos setenta.
    A mãe deles ( mãe Adélia ) era o pilar da familia.
    Morava no Lobito e passei com eles, pelo menos um Natal e um Ano Novo.
    Gostava de saber se ainda estão vivos
    Abraço.

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