Acordar melhor
Na sexta-feira passada, acordei com a notícia de que o governo do Brasil decidira adiar a obrigatoriedade do Acordo Ortográfico (AO) até, pelo menos, 2015. Sempre tive a impressão de que fora o Brasil a puxar pelo dito e nós a irmos atrás para não perdermos o comboio, que é como quem diz para não perdermos para eles, entre outras coisas, o mercado nos países africanos de língua portuguesa. Como sou contra muitas das alterações propostas pelo AO (e não vale a pena voltar a isso, porque já falei do assunto aqui bastantes vezes), fiquei aliviada por pensar que, se os brasileiros adiam, é porque perceberam provavelmente que o AO não é assim tão bom e quiçá, mais ano menos ano, o arrumam numa gaveta e o esquecem. Porém, nesse mesmo dia, ao regressar a casa com o rádio sintonizado na TSF, percebo, pela intervenção de alguém com mais informação do que eu, que no Brasil existe um projecto que responde pelo nome Acordar Melhor e que, ao contrário do que acreditei ingenuamente, é uma proposta para se ir ainda mais longe nas alterações, razão por que se sustém agora para planear direitinho (com sotaque brasileiro e tudo) e pôr cá fora lá para 2016 uma versão ainda com mais espinhos para pessoas como eu. Bem, já não se pode, pelos vistos, acordar bem, que vem logo a ameaça do Acordar Melhor para nos tirar de vez o sono…
Bolas!!! Não me diga uma coisa dessas. O problema é que estas burras que estão no poder são bem capazes de lhes fazer a vontade...
ResponderEliminarNão tarda teremos que escrever "planejar direitinho", seja com sotaque ou não. Enfim...
ResponderEliminarMas não passámos todos a dizer, eu sei lá bem porquê?!!, "focalizar" em vez de focar. E não me parece que tenha sido por influência brasuca.
EliminarO que me preocupa é que há uma geração que aprendeu a ler e a escrever sem AO, no ano passado começou a ler e a escrever com AO e agora, sinceramente, espero que não se volte atrás. Neste momento, temos praticamente todos os livros escolares com AO. Que grande confusão seria!
ResponderEliminarEu já estou em pleno no AO. Continuo com dúvidas sobretudo nos hífenes e aí espero que um dia se decidam a simplificar.
Então que direi eu?
ResponderEliminarEm primeiro lugar, sou leoninamente contra o AO. Não percebo a necessidade; não percebo as vantagens; não percebo o ideário por detrás; não percebo as alterações.
Em segundo lugar, entendo o AO como uma bestial traição à nossa identidade linguístico-cultural; um produto de mentes enviesadas, acarneiradas e profundamente deseducadas (não obstante o seu estatuto de peritos em linguística, parece-me, ao invés, que secundarizam a identidade cultural ao espartilho meramente técnico da alteração à língua).
Em terceiro lugar, além do aleijão à nossa língua, este AO é uma subordinação nacional, como se, de súbito, outros povos falantes de uma comunidade Lusófona falassem melhor do que nós e tivessem mais importância do que nós. É como se a lógica mercantilista se impusesse cruamente à perpetuação de uma língua com séculos de tradição evolutiva.
Em quarto lugar, o meu bi ou tri-lingualismo não compreende esta ânsia homogeneizante que querem dar ao Português. Se olharmos para a real "lingua franca" dos nossos dias, verificamos que convive serenamente com variantes que vão desde a diferença vocabular à ortográfica. Aliás, essas variantes emprestam um valor acrescido à própria língua e espelham diferentes trajectórias históricas e culturais de que os respectivos falantes se orgulham.
Em quinto lugar, como falante não-nativa de Português não tenho a sensibilidade apurada para a omissão das consoantes ditas mudas. Preciso desse património para abrir os sons a fim de não ler "têto" quando quero dizer "tecto", preciso de hífens, preciso de maiúsculas, não consigo escrever "autossustentação" e "perentoriamente" sem ficar com azia.
Em sexto lugar, o AO é uma tremenda confusão de ordem legal. Como docente universitária com responsabilidades de gestão caminho num limbo que preconiza que em Portugal o AO só será universal a partir de 2016 e até lá, documentos legais são escritos com AO, os alunos têm liberdade de escolha, os documentos menos oficiais são à vontade do falante, umas universidades já o adoptaram, outras recusam-no e andamos nesta coisa perfeitamente pateta.
Em sexto lugar, felizmente só necessito do AO ao nível estritamente profissional no que à burocracia diz respeito e pasmo que, como em tantas coisas, os portugueses sigam os seus brandos costumes e engulam os atentados e desfaçatezes que lhes acometem sucessivamente.
Obrigada.
E tunga! À portuguesa, minha cara Blonde!!!
EliminarO AO é mais um assassinato da nossa gente e cultura... língua viva sim, alguns acertos... de acordo... agora ter de escrever fato porque alguém em vez de fato diz terno... é de facto rebaixarmo-nos muito além do mostrar o cú!!!!
Brasileiro que me diga por aqui "gradeamento" em vez de gradagem ou "colheitadeira" em vez de ceifeira, levam tantas que já me olham a medo... e ainda bem! Porque pelo menos ainda meto respeito... olá!
Saudações do Planalto Central e de um país onde já não se usam vogais abertas... o que me enerva, enerva e enerva! Bébé... dizem bebé! Malditas televisões povoadas de ignorantes que nem falar sabem já!!!
Mas qual o problema em eles dizerem terno e nós fato, sendo que terno, de facto, é uma palavra portuguesa e bem portuguesa que indica, e sempre indicou, o fato constituído por três peças, casaco, colete e calça? E o que tem isso a ver com ortografia ou com o acordo, amigo Pacheco? Saudações dum escritório central.
EliminarO problema, é que facto passou a fato!
EliminarPorque de fato os brasileiros dizem assim facto...
A eles nada incomoda que facto passe a fato, pois não haverá confusão com terno...
Assim ficará provado em tribunal o fato de que o assaltante se apresentava de fato... ou teremos de passar a dizer terno? Por respeito ao português assassinado do Brazil?
Acredito que se o Extraordinário Paulo Oliveira convivesse em cada minuto das horas do dia, com brasileiros e angolanos (os chineses fazem-me rir com as suas facturas de "aleia", "bulgau" e a "repalação do giladô") a assassinarem a sua língua, talvez me compreendesse melhor... e não falo do mano Jamba nem do guarda Celestino... falo da gerente do banco, do agrônomo brasileiro e de gente que devia ter um outro domínio da sua língua (da deles também), mas parece que se esforçam por dizer mal! Porque é que se há-de dizer "presedente"? Ou "présidentchi"? E ter de levar com isso a toda a hora em todo o lado????
A mim chateia-me... o que é que quer?
Um abraço para si, aí dentro dessas quatro paredes!!!!
Amigo Pacheco, calma no Planalto! Uma coisa é a pronúncia, outra é a grafia, como por certo sabe. Não gostar de pronúncia brasileira ou de qualquer outra que não seja a nossa é legítimo mas não tem a ver com a discussão. Já agora, de facto pode de facto grafar-se assim no NAO , tal como de fato. É um dos casos de grafia dupla. Estando o tempo como está, dão-me jeito as quatro paredes. Abraço,
EliminarCaro amigo,
EliminarHá aqui uma confusão com o que se quer dizer com grafia dupla.
"Facto" em Portugal é sempre "facto" porque toda a gente pronuncia o 'c'. Ou seja, haverá grafia dupla no sentido de que cá e lá continuará a escrever-se de maneira diferente.
É que há casos de grafia dupla só em Portugal, ou seja, em que no nosso país poderá escrever-se de maneira diferente a mesma palavra porque há variantes de pronúncia.
Já agora aproveito para dizer que, por exemplo, pode escrever-se, em Portugal e de acordo com este AO, "OLFATO" ou "OLFACTO". E, pasme-se porque quase ninguém o sabe, pode escrever-se "ESPETADOR" e "ESPECTADOR". Eu, que por acaso não pronuncio o 'c' em muitas destas palavras, utilizo-o sempre que há dupla grafia, mesmo nos documentos oficiais, em que sou obrigada a seguir o AO.
Muito obrigado. Há então a dupla grafia, tipo António / Antônio , para agradar cá e lá, e há a dupla grafia em Portugal. Que eu saiba há cerca de 200 palavras com dupla grafia em Portugal. Destas consta realmente espetador / espectador sendo que a primeira ficou homógrafa com o espetador que espeta. Já existiam muitas homografias que se resolvem pelo contexto em que se aplicam as palavras. Quanto à manutenção do espectador será talvez porque alguns passaram a ler as constantes mudas. Uma confusão, sim, mas sempre gostei delas. Vamos adaptar-nos a tudo isto. Um dia, virá ainda outra grafia, por certo
EliminarHá coisas que para mim fazem sentido no AO. Por exemplo, sempre escrevi minissaia em vez de mini-saia. Detesto hífenes desnecessários. Também percebo que se escreva ATIVIDADE em vez de ACTIVIDADE. Quem abre o 'A'? Por isso o 'c' não está lá a fazer nada.
ResponderEliminarQuanto ao mais, detesto quase tudo e parece-me que os brasileiros não prescindiram de quase nada, que as mudanças tiveram todas de ser nossas. A grande concessão deles e que os chateia tanto, qual é ela? A queda do trema, escrever "exequível", por exemplo, sem trema...
Para resumir, os defensores do AO dizem que nos aproximÁmos mais do som das palavras e isso é uma grande mentira. E eles sabem que é mentira. PARA e PÁRA por acaso pronunciam-se da mesma maneira neste lado do Atlântico?
E PERENTÓRIO... que feio.
A queda do trema, que nós já usámos antes de baralharmos os acordos existentes, foi realmente um disparate. Seria uma grande ajuda para aqueles que, sendo estrangeiros e estudando o português, ficam sempre intranquilos quando enfrentam paquidermes.
EliminarAcordo Ortográfico, o vão comércio das palavras
ResponderEliminarNinguém pode escrever um livro. Para
que um livro seja verdadeiramente,
requerem-se a aurora e o poente,
séculos, armas, mar que une e separa.
(…)
Jorge Luís Borges
(…)
As palavras não chegam,
a palavra azul não chega,
a palavra dor não chega.
Como falaremos com tantas palavras? Com que palavras e sem
[que palavras?
E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
(…)
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo.
(…)
Manuel António Pina
Sou o Velho Cansado
que adora o seu cansaço e não o quer
submisso ao vão comércio da palavra.
Poupem-me, por favor ou por desprezo,
se não querem poupar-me por amor.
Carlos Drummond de Andrade
O importante é que as palavras se ponham de acordo entre si.
Digo eu.
Apoiado !
EliminarEstou em sintonia com o que foi dito e tive que me rir com as palavras do amigo Pacheco.
ResponderEliminarTenho sobrinhos com idades diferentes que têm livros escolares escritos de forma diferente. O apoio que se dá lá em casa é confuso até dizer basta!
Para um é de uma forma e para o outro, de outra. Os pais baralham-se, eu baralho-me, os gaiatos estudam várias vezes longe um do outro porque a resposta certa a uma pergunta não é certa para ambos!
Os próprios professores baralham-se: há semanas atrás, um deles teve uma professora de substituição que apontou como erro aquilo que estava certo, pois dava aulas normalmente com outro acordo.
Em termos empresariais adoptou-se por aqui a nova versão, ou seja, documentos internos e etc, deixam cair cês e pês e por aí fora, mas há autores da Editora que continuam a usar o 'antigo', tal como eu própria.
Face a toda esta confusão, Pessoa não criaria uma nova expressão a dizer que se sentia despatriado?
Adoro a nova ortografia do português ! Só traz vantagens ! A saber: (1) aboliu-se as escrita de consoantes mudas [para quê escrever letras que não se pronunciam? eu iria até mais longe: se os italianos não têm h em uomo, porque mantemos nós esses desnecessários hagás iniciais, se não os aspiramos?]; (2) a simplificação ortográfica foi a norma da evolução da nossa língua ao longo do século XX, esta última alteração ortográfica é tão só o continuar de um movimento reformista consagrado pelas anteriores alterações [e que será seguida daqui a uma década pela abolição dos hagás iniciais, profetizo eu]; (3) o modo como hoje escrevemos português aproximou-nos dos mais de 200 milhões que escrevem português fora da Europa; (4) seguramente a nova ortografia irá tornar mais atraente a leitura no Brasil e PALOPS de livros impressos em Portugal. Bendito AO que nos deu a oportunidade de escrever um português cuja ortografia não parece logo arcaica aos que usam a língua fora do nosso cantinho ! Se os brasileiros adotam ou não à letra o texto do acordo é quase irrelevante já que o AO cumpriu uma missão magnífica: foi uma belíssima desculpa para nos aproximarmos ortograficamente do mundo global de língua portuguesa. E não vale a pena suspirar pelo regresso à orografia pré-AO: as crianças de hoje aprendem a escrever e ler com a nova ortografia o que a torna historicamente irreversível. Ninguém, nem sequer os portugueses que tanto gostam de ligar o complicómetro, substitui o simples pelo redundantemente complicado. E não é fantástico, contra o que é habitual, serem os brasileiros e não nós quem resiste à reforma ortográfica ?
ResponderEliminarApoiado. Nunca percebi a oposição das nossas elites a esta reforma, agarrados como lapas a consoantes e outras especificidades pátrias. Levo já um número muito considerável de anos de vida e adaptei-me a ele como uma criança. Espero ainda adaptar-me ao próximo, o aprofundado, ou novamente ao anterior se tal tiver de acontecer. Nota: o texto acima não tem qualquer diferença se escrito no aahh!.. tual acordo ou no anterior desacordo. De acordo?
EliminarQue tremenda confusão por aí vai...
EliminarSe há coisa que não me adapto é passar de cavalo para burro.
EliminarMuito obrigado. Um abraço.
EliminarPorquê ? O cavalo aspira os hagás e o burro não? Ou nem um, nem outro... Porque não complicarmos um pouco mais e voltarmos a escrever pharmácia ? Não seria de cavalo alado ?
EliminarNão é confusão, é falta de poesia... [da barroca, em particular].
Eliminar«Não nós»? Em Portugal não se resiste ao «aborto pornortográfico»?! A sério?
Eliminarhttp://ilcao.cedilha.net
Em que país é que você vive, ó «Artur»?
Então simplifiquemos: escreva-se como se fala: com sotaque minhoto, com sotaque das beiras, alentejano, ilhéu, alfacinha, algarvio. Será mais simples e os cavalos e burros limitam-se aos coices.
EliminarRegisto o seu comentário, mas confesso que me custa a decifrar o seu significado. Não sei o que o devo entender por um aborto pronortográfico, nem percebo porque ladeia a grafia do meu nome com aspas. Deve ser falta de sofisticação minha. O que não me espantaria - não vivo na cosmopolita capital do império, ergo: sou um bacoco provinciano.
EliminarBom, a verdade é que não resisti a pôr aqui esta coisa que, há tempos, pus no meu blogue
ResponderEliminarRoubaram-lhes as consoantes mudas!
Coitados!
Estão inconsoláveis.
Já as mortes das sonoras vogais,
Que diariamente engolem,
Fora e dentro dos telejornais,
Não lhes bolem
Com os nervos nacionais!
Já a morte constante,
Gotejante,
A sangria
Fina e fria
Do vocabulário,
Necessário
Para da vida saber
E a dizer,
Não incomoda.
Está na moda
A correria.
Meia palavra aldrabada,
Mal soletrada,
Chega perfeitamente
Para entupir a mente
E desgraçar o dia.
Como será que a falta de letras que não são soletradas entope a mente ? Mistério !
EliminarMistério!
EliminarQuerer manter o AO45 só porque nasceu com ele é uma posição mais do que preguiçosa e egoísta, é contranatura à evolução natural de uma língua.
ResponderEliminarNão me importo que sejam contra o AO90, mas gostava que fossem a favor de alguma outra coisa, por exemplo da autonormalização da língua, como no caso do inglês. Mas ser a favor do AO45 por preguiça e egoísmo, isso não.
Não será só isso. É que as pessoas afeiçoam-se naturalmente ao lado pictórico das palavras. Assim, estranham perentoriamente os diversos perentórios, em especial aquelas que liam aquelas consoantes agora perdidas. Ficam perdidos. Eu compreendo isso e também estranhei (estranho) algumas das soluções do acordo. Um dia destes todos estranharemos ao contrário.
EliminarDiscordo de si, porque é mesmo só isso: "as pessoas afeiçoam-se naturalmente ao lado pictórico das palavras" _do AO45_. Não vejo ninguém a afeiçoar-se à RO11 ou ao latim bárbaro; é só e exclusivamente ao AO45 por preguiça e egoísmo, não pelas virtudes e qualidades do dito.
EliminarOk, discordamos porque concordamos. Há ainda outros, dum lado e do outro do grande oceano, que misturam na discussão algumas tiradas nacionalistas.
EliminarÓ «Manuel», vá chamar «preguiçoso» e «egoísta» ao seu tio!
EliminarE desde quando é que o AO90 representa uma «evolução natural» da língua? Acaso esta «coisa» tem seja o que for, na forma e no conteúdo, de «evolução» e de «natural»?
Peço desculpa, eu ignorante, preguiçoso e essas coisas todas... mas para mim ato é amarrar e acto é uma parte de uma peça teatral... como fato de saia e casaco é diferente de facto jurídico... não me convencem os adeptos da modernidade dita simplista, ela é que é preguiçosa, por definição!
ResponderEliminarDentro desse princípio, acabaremos a escrever pk em vez de porque... já agora...
todas as palavras escolhidas pelo Pacheco são pertinentes e também me parecem mal.
Eliminarmas a pior de todas é o espetador...
espero que pelo menos estas, com duplo sentido, sejam corrigidas.
Sugestão:
ResponderEliminarUma história (inventada)
Quando desapareceu o v etimológico na palavra que significa 'corrente de água' (rio>rivum em latim) e deixou de se escrever, por exemplo: "rivo correndo livremente", houve grande atrapalhação por causa da confusão com a palavra que significa 'estou a rir' (rio>rideo em latim) em, por exemplo: "rio correndo livremente."
De facto, um rio é um rio e uma gargalhada é uma gargalhada, mas a língua, coitada, não teve nenhum cuidado com isso.
Verifico, com satisfação, que há os apoiantes do novo AO e os do antigo AO. Isto quer dizer que cada um pensa com a sua cabeça, age segundo a sua liberdade e consciência e segundo o conceito que tem da língua, do léxico, da gramática, etc.
ResponderEliminarHá quem queira eliminar as consoantes mudas com o mesmo afã com que outros querem eliminar freguesias, ainda outros os subsídios de férias e de Natal e essoutros o intrínseco da Nacionalidade.
Pelo meu lado, sou contra o novo AO, embora também concorde com o desaparecimento das consoantes mudas - não se lêem, ora não se pronunciam, não se escrevem.
Estou contra "este" acordo, porque é feito para além da Língua portuguesa, que se submete a outras derivadas, vuldo dialectos.
Isto não é xenofobia, é princípio que assenta na genuinidade do falar português, da língua que se desenvolve e transmuda com o falar do povo.
O Brasil, Angola, Moçambique e todo o resto, falam português, cada um adaptando ao seu linguajar as expressões, frases idiomáticas, axiomas e demais quejandices. Há divergências? Deixá-las haver.
O novo AO (NAO), a que eu respondo NÃO, é um arremedar do português falado e escrito no Brasil, para contentar algumas amibas que pretendiam, com ele, ganhar novos mercados, designadamente no livro.
Quem ganhou com isto foram os fabricadores de dicionários, que se pelam pelas alterações e que lhes permitem fazer novas edições correctas e aumentadas.
Não se trata de voltar atrás e escrever "pharmácia" - como já alguém aqui alvitrou - ou pae em vez de pai; todos os acordos da Língua foram feitos "aqui", sem ir a reboque de outras fronteiras. Pharmácia foi assim grafada porque os primeiros tipos da imprensa tinham um f que servia de s e dá confusão a quem lê livros antigos e incunábulos. Passada essa confusão, emendou-se para a letra respectiva.
Gostaria de saber o que ganhou a LeYa com o novo acordo ortográfico no mercado brasileiro, maxime através da sua filial brasileira.
Como se adivinhava, o Brasil manda e desmanda neste acordo, mesmo depois de acordado. E nós, que anbdamos a dormir e vergados à Europa como cabos de guarda-chuva, mantemos essa corcunda para as Américas e o resto do Mundo. Este, assim, não é o meu Portugal e a minha Pátria, que também é a Língua Portuguesa, perdeu a Independência.
Deixem-se de maneirismos próprios das manas perliquitetes, creiam que os que estão contra o AO conseguem assimilar as alterações como os que estão a favor, e assumam que pertencem a um povo que criou a sua própria língua e a espalhou, sendo esta a Matriz. Ora, se é matriz, é mãe e é esta que gera os filhos e não so filhos que geram a mãe (mesmo que não se saiba se apareceu primeiro o ovo ou a galinha).
Com todo o respeito pela opinião contrária, continuo sem respeito pelo novo AO, que vou apodando (quando me dá na veneta), de novo acordo horto-gráfico.
«Estou contra "este" acordo, porque é feito para além da Língua portuguesa, que se submete a outras derivadas, vuldo dialectos.
EliminarIsto não é xenofobia, é princípio que assenta na genuinidade do falar português, da língua que se desenvolve e transmuda com o falar do povo.
O Brasil, Angola, Moçambique e todo o resto, falam português, cada um adaptando ao seu linguajar as expressões, frases idiomáticas, axiomas e demais quejandices. Há divergências? Deixá-las haver.»
«Este, assim, não é o meu Portugal e a minha Pátria, que também é a Língua Portuguesa, perdeu a Independência.»
É, na essência da questão, isto que eu penso.
"Um povo que criou a sua própria língua e a espalhou". Uma grande frase, sem dúvida. Isto é, se a criámos e espalhámos sou levado a pensar que temos a obrigação de ir agora com ela por esse Mundo, para não a perdermos de vista. Não adiantará ficarmos orgulhosamente sós fechados na nossa irrepreensível matriz. É por esta razão que tendo a ser favorável ao NAO , não por causa de todas as suas pequenas soluções técnicas, umas que compreendo, outras nem por isso, mas pela própria ideia de acordo. Por outro lado, isso não faz de mim um opositor da anterior grafia. Seria ridículo uma vez que apenas 4% das palavras sofreram alteração. No texto acima, julgo que nenhuma.
EliminarCaríssimo Paulo Oliveira
EliminarNo texto acima - se for o meu - há duas "apanhadas" pelo NAO - lêem (leem) e correctas (corretas).
Concordo com as alterações, porque foneticamente há-de haver concordância com a morfologia (e com a sintaxe); só não posso admitir que Portugal, como Matriz, ande a reboque do português que outros exercem pelo mundo. Não é por ter milhões de milhões de pessoas que se dita a última palavra ou que se exige a concordância - um acordo é, na essência, um ajuste entre as partes, principalmente quando ambas beneficiam.
Há muita gente que não concorda com o NAO. Uma maioria apoia a relutância do facto (no fato) de este ter sido ao jeito - pelos vistos, ainda em parte - do Brasil, um País que, até agora, tem rejeitado a maioria das edições originais portuguesas, com ou sem acordo.
Curiosa esta situação, em que um concorda com as soluções do Acordo e não o apoia por razões eminentemente políticas (o Jocamartinho segundo me pareceu) e outro (eu), que estranha algumas das soluções, mas o apoia (brandamente, sem nervoso) por idêntica razão contrária (!), porque acha que fechando nós os olhos à realidade e fechando-nos na nossa tal matriz, ficamos a ver a nossa Língua ir por esse Mundo inteiramente nas mãos doutros. Um pouco como aconteceu aos galegos umas centenas de anos atrás. Abraço.
EliminarPermitam-me apenas isto:
ResponderEliminarBem mais que o post em si, hoje foi uma verdadeira delícia ler os comentários. Estão em grande forma, os extraordinários! Parabéns.
Rui Miguel Almeida
O que interessa é enterrar este acordo hortográfico. Folgaremos assim as costas até 2016 ou mais (porque serão necessários muitos anos até que essa preciosidade entre em vigor).
ResponderEliminarE, se tivermos muita sorte, até poderemos vir a ter governantes que defendam os interesses dos portugueses e recusem assinar qualquer barbaridade que lhes seja posta à frente.
infelizmente, se nos próximos tempos formos governados pela mesma lógica actual, é previsível que formalmente Portugal assine todo e qualquer Acordo Ortográfico na exacta medida dos interesses económicos do Brasil em Portugal. Mas há o caminho da desobediência. E talvez aí os escritores e editores tenham um papel fulcral!
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