Dez anos depois

Quando comecei a editar literatura portuguesa na Temas e Debates, Paulo Moreiras foi um dos meus primeiros autores. Fora selecionado, entre muitos candidatos, pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas para uma bolsa de criação literária, que durante uns meses o aliviou na compra de muitos livros antigos em alfarrabistas e lhe permitiu escrever o seu primeiro romance picaresco, intitulado A Demanda de D. Fuas Bragatela. Trata-se de um texto absolutamente excepcional, que lhe valeu críticas muito elogiosas, entre as quais a do «melhor romance histórico da década»; é, de facto, um notável retrato do Portugal medieval feito com um humor contagiante – e recuperando uma linguagem que, infelizmente, caiu em desuso – que põe em cena um portuguesinho que não quis ser alfaiate e partiu à aventura, cruzando-se com alcoviteiras, meirinhos corruptos, padres que vendem parcelas de céu e muitas outras figuras que bem podiam ter saído de um auto de Gil Vicente. Recentemente, um grupo de teatro de Pombal levou à cena uma adaptação do livro feita pelo próprio autor, com casa cheia. Dez anos depois, aqui temos então de novo o Bragatela, havia muito esgotado, com uma capa que não fica nada atrás da primeira. (Permitam-me uma nota pessoal: Caro António Luiz Pacheco, este é daqueles livros que não pode perder.)


 


 


Comentários

  1. Conheci o Autor através do fabuloso O Ouro dos Corcundas... único, inesquecível. Antes de deixar aqui esta nota, fiz a encomenda de A Demanda..., cuja capa tem impressa uma palavra que, suspeito, caracteriza o livro: notável.

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  2. nunca li nada do autor.

    mas acho brilhante a ideia de recriar ambientes da nossa história.

    sim, é uma bela de uma capa.

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  3. Capa bonita e tenho as melhores referências deste novo escritor português. Tanto este como O OURO DOS CORCUNDAS já foram acrescentados à minha lista.
    Obrigado pelas sugestões, sempre bem vindas.

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  4. Moreiras é notável e multifacetado. Não esquecer, para além dos romances, o premiado "O elogio das ginja" bem como as diversas monografias como a do palito ou do tremoço.
    Paulo Moreiras merece ser escritor a tempo inteiro. Não o é. A crise levou-o para o desemprego. E agora? Escreve com as aparas da desilusão?
    Perdoa-me, Paulo, a inconfidência mas acho que a amizade empurra-nos para a denúncia da injustiça.

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    1. Não poderá, neste caso, o desemprego ser uma oportunidade para fazer o que gosta: escrever...

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  5. Pois justamente são trabalhos desta envergadura que posiciona e defende a força da cultura portuguesa, inclusive justifica frutos: no teatro e quiça no cinema; implicando redimensionar a história da literatura contemporânea, é possível? É. Parabéns ao autor pelo esforço!

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  6. Foi com muito prazer que li este livro, ainda com outra capa.
    Isabel

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  7. António Luiz Pacheco10 de abril de 2012 às 06:34

    Ó SenhoraDótouraEditora :

    É claro que eu tenho e li esta notável obra, de que gostei muitíssimo, evidentemente! Tal como adorei o Oiro do Corcundas!!! E como não?
    Mas agradeço sobretudo o lembrar-se cá da minha pessoa!
    É verdade, um bom autor, dotado de espírito!

    Pena se não está a ser aproveitado... com ficámos a saber. Olhem, por exemplo a nossa fraquíssima e bacôca (para não dizer ridícula) indústria telenoveleira , só ganhava se tivesse gente como ele a escrever diálogos! Digo eu, na minha reconhecida ignorância das coisas das letras, artes e dos espectáculos...

    E vai chovendo... saudações do campo!

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  8. Hoje também me atrevo a escrever uma nota pessoal para a Ana B, em resposta a um post que ficou lá atràs:
    Cara Ana B.
    Fico mesmo feliz por estar a gostar do "nosso" Mia Couto (sim porque agora é nosso!!!).
    Boas leituras
    Isabel

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    1. Cara Isabel:
      Estamos aqui, estamos a fundar um clube de fãs:)
      Agora a sério: já acabei o Jesusalém e adorei! Magnífico! Até o nome das personagens são fantásticos. E tem um humor delicioso. É claro que vou procurar novos livros dele.
      E certamente que também vou espreitar os livros do Paulo Moreiras. Com tanta recomendação fiquei cheia de curiosidade. E como eu adoro livros com algum humor, parece-me que irei gostar.
      Oh, meu Deus! Haja tempo para tanto livro...:)

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    2. O MIA COUTO é um escritor maravilhoso, ainda não li um livro, um sequer, que se dissesse - este perdi o meu tempo, nem um, todos mas todos me agradaram, e já li uns seis ou sete.Uma maravilha.

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    3. Cara Ana B e ASeverino, o clube de fãs já tem 3 membros!!!
      Isabel

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  9. António Luiz Pacheco10 de abril de 2012 às 08:14

    É grande satisfação para mim, ver reconhecidos aqueles autores que sendo menos divulgados ou mediáticos, não são de modo algum inferiores aos aplaudidos, como é neste caso concreto Paulo Moreiras.
    É de toda a justiça, e ainda bem que pelo menos neste espaço eles vão aparecendo...

    Como consumidor habitual de romance histórico
    gostaria de referir aquele que para mim foi o melhor romance histórico que li nos últimos anos:

    "Levante, 1487
    A vã glória de João Álvares"
    De José Maria Pimentel
    Edição do próprio... comprei através da Wook .

    Vale a pena promover e divulgar o seu esforço e a qualidade do trabalho, quer na escrita que está soberba, quer no respeito pelos factos e o imenso trabalho de investigação feito.
    Merecia um prémio Leya ... ou pelo menos ser lido. Se bem que vá contra a corrente habitual e nos apresente os portugueses como a gente de engenho e grande coragem que fomos e somos!
    A não perder por todos que gostem do tema!

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  10. Partilho uma excepcional entrevista do Escritor Paulo Moreiras no blogue Luís Bento. Recomendo a quem não conhece...e a quem conhece, também.

    http://bento-vai-pra-dentro-bento.blogspot.pt/2010/12/entrevista-paulo-moreiras_14.html

    Maria Lessa

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