Tarde demais ou em modo minúsculo

Ouvi recentemente numa reunião com o director comercial da LeYa que um livro tem uma esperança de vida média de sete semanas. Sete semanas durante as quais, com ou sem ajuda, terá de se vender e sair da livraria, pois, de contrário, sairá também, mas devolvido e para os armazéns da editora – e é quase garantido que não voltará a pôr lá os pés (na livraria, entenda-se). Tratando-se de um livro de um estreante, português ou estrangeiro, é preciso, pois, torná-lo minimamente conhecido ou «badalado» antes da saída, ou tentar que as críticas cheguem em cima da publicação para que alguma atenção recaia sobre ele durante essas míseras sete semanas. O problema é que há muito pouco espaço para falar de livros na nossa comunicação social – menos ainda para livros de desconhecidos, sobretudo se a saída destes coincide com a de outros títulos mais sonantes com direito natural a uma ou mais páginas. Então, não é raro que os mais necessitados se vejam confinados a uma colunazita de nada que, por bem intencionada que seja, não ajuda muito; ou, o que é pior, a um espaço efectivamente mais amplo mas, sim, sete semanas depois do que era preciso... Ou mais. Já vi críticas que saíram um ano depois da publicação dos livros a que diziam respeito. Não serviram a quem as escreveu nem a quem publicou o livro. Talvez sejam iguais ao silêncio, enfim.

Comentários

  1. Talvez ministrar-lhes um curso sobre o que é a leitura, sobre tempos e ritmos de leitura, ensinar-lhes que um livro é uma coisa que serve para ler, etc., etc., etc.

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  2. Obrigada por um texto tão explícito que diz o que pensamos e sentimos nos nossos anonimatos e que diz, sobretudo, da inclemência da luta pela sobrevivência do mais apto no mundo editorial.

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  3. MRP:

    Tarde «demais» ou «tarde de mais»?

    Para mim, independentemente do NAO ou do modo de escrita à brasileira, «de mais» continua a significar o contrário de «de menos» e «demais» a significar, p. ex., «outros».

    Bem podemos barafustar contra a submissão aos brasileiros através do NAO e continuarmos esta rendição voluntária ao seu modo de escrever.

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    1. Pois é, eu também escrevia «de mais» por oposição a «de menos», mas um dia houve um velho revisor que me disse que não tinha razão, pois, quando significa «demasiado», deve ser só numa palavra. E explicou-me que não se pode dizer «tarde de menos», pelo que não se tratava de oposição... Já tenho tentado tirar a dúvida, mas nunca encontrei um esclarecimento realmente conclusivo. Se o encontrar, diga-me.

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    2. Demais
      Demais, advérbio de modo, também chamado de intensidade, usa-se quando com ele queremos significar ‘excessivamente, muitíssimo’, como, por exemplo, nas frases: Não comas demais, que te faz mal. Ele foi lento demais. Demais significa ainda ‘além disso’ e ‘os outros, os restantes’, em frases como as que se seguem: Ele não comeu nada durante a tarde; demais, o que ele pretende é guardar todo o seu apetite para o jantar. Nesta equipa há apenas um jogador alto; os demais são de estatura média. Não deve confundir-se este advérbio com a locução adverbial de quantidade de mais, constituída por duas palavras, que equivale a a mais e é antónima de de menos, equivalente, por sua vez, a a menos. O advérbio demais exprime o modo intenso de uma ação ou de uma afirmação; é, pois, um advérbio de modo modificador da intensidade do sentido de um predicado (verbo ou verbo copulativo + nome). Não bebas demais. Dormiu demais. Ele é competente demais. Demais é advérbio e significa intensidade. De mais é locução e significa quantidade.
      Vd. De mais

      [Entrada do Dicionário de dúvidas, dificuldades e subtilezas da língua portuguesa (Dom Quixote) de que sou coautora.]

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    3. Maria Almira Soares:
      Pela minha parte, muito obrigado pelo esclarecimento.

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    4. Também agradeço o esclarecimento, cara Maria Almira, porque esta é uma das minhas dúvidas persistentes. Sempre escrevi "de mais" por oposição a "de menos", sempre separado a não ser quando significa "os outros". Pelo que leio aqui, estava errada. Outra dúvida que tenho é "se não" e "senão". Talvez esteja também errada, mas escrevo sempre separado a não ser no sentido de "particularidade": "Não há bela sem senão", por exemplo. Mas a verdade é que tenho visto escrito tantas vezes assim noutros contextos, e por pessoas que respeito na matéria, que já não sei. Uma ajuda? Obrigada.

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    5. Do mesmo Dicionário:

      Senão/Se não

      A palavra senão pode ter vários sentidos e pertencer a diferentes categorias gramaticais.
      Pode ser uma preposição e significar ‘exceto, salvo’.
      Não comia senão fruta e legumes.
      Pode ter valor de substantivo, significando ‘imperfeição, problema’.
      Não há bela sem senão.
      E pode ser uma conjunção, significando ‘de outro modo, a não ser que, se assim não for, de contrário’.
      Porta-te bem senão serás castigado.

      Se não são duas palavras: se (conjunção condicional, pronome ou palavra apassivante) e não (advérbio de negação).
      Se como conjunção condicional: Se não te apressares, perdes o comboio.
      Se como pronome: Quem se não sente não é filho de boa gente.
      Se como palavra apassivante: Apesar de se não verem frequentemente, existiam.

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    6. Obrigada, uma vez mais. Vejo que tenho escrito mais ou menos assim, excepto quando a palavra tem a valência de conjunção (escrevia "se não" e estava errado, pelo visto). Sempre a aprender.

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    7. De facto, é por essa oposição (de mais/de menos) que vou gerindo quando me surge a dúvida nas revisões.

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  4. Perdoe-me a ousadia, mas tenho esperança que isso não seja tanto assim. Ou sê-lo-á talvez mais naqueles livros de capas todas diferentes, todas iguais, que tapam a literatura na maioria dos locais de venda. Peguemos, por exemplo, num livro que foi aqui falado dum estreante, o de Camarneiro , No Meu Peito Não Cabem Pássaros. Esteve talvez as tais sete semanas em destaque e desapareceu, mas tenho notado pequenas reposições posteriores, aqui e ali, talvez por saudável militância de alguém. Também no outro dia comprei finalmente outro livro dum escritor aqui descoberto, Um Copo de Cólera de Raduan Nassar , exemplar único escondido numa estante. Isto é, o que é bom sempre vai furando e aparecendo se formos procurando, ou será o meu irresponsável otimismo ? De todo o modo, encontro muito mais do que aquilo que posso ter.

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  5. Se até as pessoas têm prazo de validade...vejam os nossos velhotes a morrerem por falta de assistência sem nada nem ninguém... a vergonha dum país, ora a morte dos nossos velhotes está na razão proporcional da morte dos livros!!!

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  6. Nunca percebi bem essa lógica da comercialização dos livros. Acima de tudo porque me parece que é o próprio sistema que se auto aniquila.
    Mas é uma realidade. Ainda há semanas, corri meia cidade à procura do Vida Verdadeira do Vasco Luís Curado e não o encontrei: tive de o encomendar. O mesmo aconteceu com o livro de contos da Dulce Maria Cardoso. Muitos outros exemplos poderia referir; estes são apenas os últimos. E o mais ridículo é que são livros com 1/ 2 anos. Estranho... Quando as livrarias se queixam do aumento de vendas pela net e da consequente diminuição de vendas que isso acarreta, espanta-me não terem mais títulos disponíveis para venda imediata. Apesar da enorme tentação, tenho resisto e continuo a encomendá-los ao balcão da minha livraria. Mas é muito estranho...
    A propósito:li o Vida Verdadeira no fim de semana e foi uma ótima descoderta. O livro tem uma personagem secundária que daria, só por si, um excelente romance: o explicador particular. Magnífica personagem! Apeteceu-me imenso ler um livro só sobre ele. Valeu a pena tê-lo encomendado.
    Quanto às críticas atrasadas: mais vale tarde que nunca. E pela parte que me toca, os livros nunca perdem validade. Nem que os tenha que encomendar.

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  7. Este assunto dava um romance…
    As excepções às sete semanas de vida consubstanciam-se na ‘fama’ do nome que aparece na capa como Autor (não digo Autor logo de rajada, propositadamente). O estreante é jogador de futebol, treinador, modelo, vip ou figura pública? Deitem-se os foguetes e grite-se a fórmula majestática Long live fulaninho ou fulaninha! Trejeite-se a voz para a Linha e anunciem-se apresentações com sessões de autógrafos em sítios in; as revistas cor-de-rosa farão a cobertura, mais para falar de quem estava, do que levava vestido e de quem eram os acompanhantes, pouco ou nada do livro, mas isso não interessa nada. Dá direito a conversa, a trica? Então é bom.

    Há duas semanas uma amiga brasileira de visita a minha casa suscitou-me a curiosidade sobre um ‘fenómeno’ da música: Michel Teló, interprete de Ai se eu te pego. Dizia ela que se meteu no avião e suspirou de alívio por deixar de ouvir o ruído mas, assim que aterrou, deu de ouvidos com ele e ficou a saber duma tournée europeia, da gravação duma versão inglesa e mais não sei o quê.
    A questão é: quem compra? Quem são os consumidores? Então vamos fazer ‘coisas’ para eles!
    Os espaços dedicados ao Livro, à literatura, são residuais; o formato ‘Livro’, com capa, páginas escritas com palavras, uma narrativa ou uma colecção de poemas, pode ser várias coisas, assim como a imagem riscada a carvão em cima da minha secretária sou eu, criada pelo meu filho quando ele tinha 3 anos de idade. São perspectivas ou, como dizia o outro, são opiniães!

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  8. "Tratando-se de um livro de um estreante, português ou estrangeiro, é preciso, pois, torná-lo minimamente conhecido ou «badalado»"

    Pensei que não faltassem badalos que badalar aí pela TresLeya... Deixa-me preocupado, Dra.

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  9. Bom dia à Maria do Rosário Pedreira e a todas e a todos!

    Não é possível "aguentar" tanto livro que sai diariamente nem é possível "criticar" ou mesmo fazer uma pequena recensão. A não ser que houvesse um espaço próprio para tal, que não há. E a Maria do Rosário sabe o flagelo, a catadupa de livros "horrorosos" que não têm onde cair mortos de mal escritos ou desinteressantes que aparecem todos os dias fruto, obra de "editoras" não sei de onde, que viram na ansiedade das pessoas o lucro fácil. Há dezenas e dezenas para não dizer centenas de pessoas que acham que escrevem muito bem e têm coisas muito giras para contar. Um flagelo! Não só escrevem muito mal, como nada têm que contar, ou sejam, contam lugares comuns que de novidade literária nada, mas nada têm. E essas "editoras" que nascem como cogumelos todos os dias em todos os vãos de escadas de muitos prédios deste nosso querido país, prestam um trabalho lamentável: não editam coisa nenhuma, levam um dinheirão pela publicação e cobram tudo, tudo até ao pormenor. Depois, como não têm distribuição, os seus livros aparecem durante 15 dias, no máximo, numa qualquer estante e desaparecem. Se venderem 50 exemplares já é bem bom! Desaparecem, rapidamente, os melhores quanto mais estes autores de solidões e fins de semana. Não têm distribuidoras, não têm publicidade, não têm nada! E esses autores, coitadinhos, acham-se desprezados porque jamais, mas jamais em tempo algum aparecerão numa recensão de jornal e o seu público é um cortejo de gente inculta. Por isso, tenho pena é que, escritores realmente talentosos como apareceram vários o ano passado não tenham tido a graça de cair em graça. Nem na graça dos críticos nem na graça dos livreiros. Porque os editores conscienciosos acharam-lhes graça e até os publicaram.

    Mas quem é que vai badalar, antes ou depois da sua saída, um livro que não presta?
    Claro que há as excepções daqueles belos livros das figuras públicas, que não prestam para nada, mas que são falados e refalados. Mas isso é outra questão. Vendem.
    Mesmo assim, tenho visto que os livros bons são falados. Pouco ou muito, mas são falados na imprensa e etc. Não passam despercebidos.

    Por acaso eu acredito nos nossos editores. E acredito nos recenseadores. Acho é que o espaço é pouquíssimo. Espaço de escrita e de exposição livreira.

    Bolo rei seco e esfarelado

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  10. Roubei para o FB o teu post, Rosário, espero que não te aborreça. Tudo o que dizes é verdadeiro e justo. Um dia conto-te uma história sobre um livro que nunca foi. Tem a sua graça. Apesar disso, contrariedades, desaparecimentos, ocultações, o livro fez uma vida silenciosa. Não fez um vida que seja uma mais-valia financeira para a editora ou coisa que o valha, mas não o conseguiram apagar. Diria que há livros que são, apesar de tudo, sobreviventes. Bj

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  11. Bah! Não acredito em nada disso! Ou pelo menos não quero acreditar! Esta semana vou aparecer no diário do Sul, na minha majestosa apresentação Alenteja. Carrega Benfica e a recompensa virá!

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  12. Do alto da minha santa ignorância - e ainda mais ignorante sou neste campo de livros, editores, livreiros e afins - dou a minha opinião:

    nada melhor do que um "boca-a-boca". É assim com os livros, com os filmes, com aquele café escondido atrás duma esquina qualquer, com uma tasca que faz a melhor açorda do mundo, e assim vai ... Os críticos, esses malandros sem alma, puxam sempre a brasa para as suas (deles) sardinhas e ocupem eles, com seus escritos, uma colunazita escondida num fim de página ou duas páginas centrais de qualquer veículo de comunicação impresso é sempre o mesmo blá-blá-blá ... Não me fio nessa gente. Vou lá e confiro. Se gosto é bom (para mim) ... O que seria do amarelo ....

    Quantos génios não houve que morreram na miséria e no anonimato por ter um criticozito qualquer dito que a sua obra era medíocre?

    Quando o mundo lhes descobriu a genialidade e o talento era tarde demais (juntinho que fica mais quentinho) para eles. Sorte nossa que podemos "conviver" com tantos que tiveram sua arte escorraçada.

    Boas leituras.

    Broa endurecida

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  13. (esta posta é quase porno-gráfica)

    apetece-me dizer que essas pessoas que andam por aí a "vender livros", não percebem nada "desta horta".

    apenas conseguem privar-nos da compra e leitura de alguns bons livros que "desaparecem" nos quase sete dias, tal como o "lixo".

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  14. Não sejamos demasiado pessimistas e esperemos que a Leya tenha sucesso no esforço que certamente está a fazer, na sua rede de livrarias, para combater tão cruel fenómeno. Talvez depois as outras livrarias lhe sigam o exemplo.

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  15. Ao ritmo de lançam (lançavam?) para o mercado e com o fecho (quase) diário das livrarias, as sete semanas passarão mesmo a sete dias.

    Bom, aqui entram o blogues/redes sociais para divulgar os livros que já foram retirados dos escaparates.

    Fica aqui um ponto de reflexão para as editoras.

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  16. Vicente Lopes Saudade30 de janeiro de 2012 às 09:36

    Começo por lembrar/esclarecer que o "Moby Dick" de Herman Melville vendeu muito pouco durante a vida do autor. E nem por isso, o Melville foi um indigente.

    Agora eu pergunto: porque é que os livros não são maquinofacturados dependendo do número de encomendas dos leitores?

    Ou seja; um livro teria uma tiragem inicial, apenas para cobrir as estantes de toda uma rede de lojas. Depois, e à medida que o interesse por parte dos leitores crescia (ou não), imprimiam-se mais exemplares...

    É uma ideia básica, não sei se resultaria, estou muito longe de ser especialista, mas acho que tem algum fundamento, não?

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  17. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2012 às 10:26

    Grato pela explicação e abertura, minha Cara Hospedeira Extraordinária... serve pelo menos para dar que pensar a nós amadores.

    Excelente a participação e a grande qualidade de diversos posts , anónimos ou nem por isso mas que se percebe que sabem do que estão a falar e me foram úteis e grande ajuda para a minha formação pessoal, o que agradeço sinceramente.

    Comentários não faço, pois são coisas que não conheço, por isso apenas tento aprender, mas é de facto por isto mesmo que vale a pena aqui vir.

    Saudações do campo!

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  18. Tal como é efémera a presença dos super-abundantes novos livros nos escaparates das livrarias, também é muito curta e limitada a duração destes debates feitos no território da(s) caixa(s) de comentários do(s) blogue(s). Dentro de poucas horas, MRP vai colocar aqui um novo post, o qual mobilizará a atenção dos frequentadores, suscitará novos (e interessantes) comentários, mas que interromperá e substituirá por outro este efémero debate, no qual eu gostaria de ter participado, porém com mais tempo para ponderar a minha intervenção – tempo que não terei porque só agora, TARDE DEMAIS, pude aqui chegar.
    Isto é quase meia-noite, tarde de mais – quando eu acabar de escrever isto e carregar no botão “publicar” já ninguém vai ler, ou, se ler, já não terá pachorra para desenvolver nem para, ao menos, contestar, apoiar, ou outras hipóteses menos ortodoxas, que não estamos livres delas neste território. Abreviando, que se faz tarde e o debate está quase a chegar ao limite de tempo, pergunto: – Será que, lá nas editoras, realmente lêem e avaliam os inúmeros livros que lhes chegam, que lhes invadem diariamente os escrit… – ia dizer “escritórios”, mas não, lá não se escreve, lá é suposto ler – ? Tenho esta dúvida porque, de vez em quando, passados muitos meses são-me devolvidos os livros acompanhados de uma curta mensagem em que, salvo honrosa excepção, me pedem desculpa por, atendendo às actuais circunstâncias, limitações do mercado, etc, não será oportuno, etc. Porém, salvo honrosa excepção, quanto a vestígios de aquilo que escrevi ter sido realmente lido, ou, vá lá, pelo menos passados os olhos com um mínimo de atenção por alguém cuja profissão, presume-se, consiste em ler, avaliar, classificar, etc – nickles!
    Por outro lado, circunstâncias casuais fizeram que uma cópia informal de um livro escrito por mim tivesse chegado às mãos de uma pessoa que não tem nada a ver com o sector editorial. Ainda não conheço pessoalmente esta pessoa, mas sei que a sua vida profissional consiste em, umas dez horas por dia, numa lufa-lufa servir as centenas de clientes que desfilam no estabelecimento onde trabalha. Mesmo assim, esta pessoa, leitora compulsiva nas poucas horas que tem vagas, sem prejuízo de outras leituras arranjou tempo e disposição para ler, sublinhar, anotar, avaliar, criticar aquilo que eu escrevi. E eu, graças às mesmas circunstâncias casuais, pude ter conhecimento do resultado do seu esforço – melhor: da sua dedicação.
    É quase 1.00 h da manhã, por isso abrevio e questiono: – E que tal se as editoras se socorressem, aleatoriamente, das capacidades destes leitores/clientes da Literatura, como contraponto/complemento do trabalho, que acredito ser difícil mas dedicado, dos funcionários que, lá nos escrit…, perdão, nos gabinetes, são diariamente atafulhados com dezenas de novos projectos de livros? Sugiro isto porque compreendo que estes muitos livros diariamente propostos às editoras dificilmente poderão ser, cada um deles, especificamente avaliados de uma maneira que não seja superficial, meramente administrativa, pressionada e condicionada pela conjuntura e pelas circunstâncias profissionais/individuais de quem tem a missão de, lá na máquina editorial, pelo menos passar-lhes os olhos por obrigação.
    Também eu estou agora pressionado / condicionado pelo horário deste efémero debate, que já passa da 1,00 h, é TARDE DEMAIS, se calhar isto fica definitivamente por aqui – é (será?…) pena, mas isto dos debates na dinâmica dos blogues é assim, nunca se chega a uma conclusão, que havemos de fazer? Mas pronto, não tarda são 2,00 h, isto já não são horas para a minha idade… (para os mais atentos, isto sou eu a insinuar uma dica para tentar recuperar aquele debate, interrompido aqui neste blogue, acerca do limite de idade para quem quer ser escritor…) Vou reler isto que escrevi enquanto, antes que seja tarde de mais para clicar o botão “publicar”, ouço Pink Floyd – The Dark Side of the Moon, que classifico como um clássico… (para os menos atentos, isto de apontar o que considero um clássico, sou eu a chamar a atenção pa

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    1. Que horas são? Eh pá! – Horas extraordinárias! – Já passa das 2,00h, não tarda está aí Maria do Rosário a colocar um novo post, depois os novos comentários, o novo debate.
      Que pena! Assim tão tarde, já não virá certamente intervir neste debate o jovem Courinha alentejano que anda a podar as nogueiras, nem o valente Pacheco ribatejano que sempre podou o que lhe pareceu que, podando, poderia dar fruto, nem aquelas raparigas que também têm livros escritos que os funcionários das editoras não podaram com a devida atenção, nem os anónimos que parece também fazerem parte do rol dos nem sequer passados por uma vista de olhos a ver se valia a pena podá-los, a ver se, quem sabe? conseguem ao menos dar flor.
      São quase 3.00 h, horas extraordinárias, mais um bocadinho enquanto releio, a ver se não escrevi nada que seja inconveniente, e termina The Dark Side of the Moon, não tarda nasce o sol, e eu nisto, a demorar, parece que de propósito para ver este debate a extinguir-se com a extinção da noite e o nascer do sol de um novo efémero debate.
      Fui lá fora fumar um cigarro. Vi que a lua está em crescente. Não tarda, temos aí a lua cheia. Aproveitem o Dark Side.
      Vou colocar isto, a ver se cabe no limite do número de caracteres permitidos para os comentários.
      Adeusinho.
      Joaquim Jordão

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    2. Caro Joaquim,

      Só para lhe dizer que, em muitas editoras, de facto se devolvem os originais sem os ter lido. Um autor meu contou que recebeu o dele dentro do próprio envelope que o tinha enviado! Mas em outras os editores lêem os livros que recebem, param quando acham que não valem a pena, vão até ao fim quando pensam que a coisa pode interessar. Fazem-no, porém, com grande atraso - eu, por exemplo, estou a ler agora originais que entraram em Junho... Já trabalhei com leitores externos, como sugere, pessoas que conhecia e em quem confiava, custar-me-ia dar a ler os originais a uma pessoa estranha, mesmo que a soubesse leitora de literatura. No entanto, esse trabalho era remunerado e, em tempos de crise, não há verba para isso... Um abraço.

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    3. António Luiz Pacheco31 de janeiro de 2012 às 05:17

      Gostei de ler caro JJ !!!!
      Pena a hora tardia de facto, mas como vê ainda houve quem viesse dar uma espreitadela - aliás faço-o frequentemente a posts interessantes, pois há sempre que contar com estes "atrasados".

      Um abraço para si!

      PS - Sabe que já tem acontecido, colegas nossos candidatos a escritor, pedirem-me que leia projectos de livro para dar uma ajuda
      na revisão e algumas opiniões... e julgo que a coisa resulta, pelo que a sua idéia pode ser pelo menos posta em prática fora das editoras e entre nós, leitores que gostamos de livros!

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    4. Sim, cara Maria do Rosário, como referi no meu comentário, sei por experiência própria que existe, pelo menos, a honrosa excepção que a Senhora refere, e que agradeço.
      Cumprimenta,
      Joaquim Jordão

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    5. Sim, valente Pacheco, é isso que eu tento fazer: imprimo meia dúzia de cópias e peço a amigos que leiam para, fora das minhas rotinas da escrita, com a distância e a sensibilidade de olhos alheios, pelo menos detectarem incongruências, erros, coisas que me escaparam - e, de preferência, que, na perspectiva do leitor comum, avaliem também a qualidade.
      O problema é que as pessoas (de algum modo como a generalidade das editoras) pedem muita desculpa mas acham que têm cada vez menos tempo por causa do cada vez maior número de coisas com que o ocupam.
      Eu, vá lá, até as compreendo: desde que me dediquei a escrever, também deixei de ter tempo para outras coisas...
      Mas pronto, bem vejo, agora, que escrever é uma coisa, ler é outra, completamente diferente.
      Então e o meu caro, como vão as suas podas?
      Um abraço!
      Joaquim

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    6. António Luiz Pacheco31 de janeiro de 2012 às 06:44

      As podas vão indo... eheheh !

      Com a facilidade das modernas comunicações e meios de escrita, já aconteceu receber por e-mail alguns textos ou mesmo o livro em ficheiro!
      Depois, é só introduzir pelo meio do texto as minhas observações ou sugestões, geralmente
      a vermelho! A coisa funciona... claro que com algum recato e de uma forma algo limitada a um grupo de pessoas, mas já deu bons frutos, atrevo-me a dizer!
      No meu caso (foram 3 anos a escrever e quase nem fiz mais nada) tenho de confessar que me falharam tantas coisas, a começar por esta troca
      e entreajuda que nunca me ocorreu sequer poder existir e poderia ter sido tão útil! Mas só comecei p.e . a ir a sites ou blogs de literatura DEPOIS de estar editado... foi de facto uma pena que se deve única e exclusivamente à minha ignorância e desinformação.
      E conheci ou tenho conhecido pessoas bem interessantes depois disso e através destes, pessoas deste meio que não é o meu!
      Um abraço!

      Eliminar
    7. Isto que o caro Pacheco designa por modernas comunicações e meios de escrita é coisa que também não domino como deve ser, mas vou-me surpreendendo a mim próprio com a aprendizagem.
      Ainda a noite passada, escrevi esse longo comentário que está aí acima, e depois, alta madrugada, vou a tentar publicá-lo, mas quê?! – o número de caracteres ultrapassava o limite estabelecido!
      Ai é?! Então espera aí que eu vou lá fora fumar um cigarro e já trago uma solução.
      A olhar a lua a crescer, pensei nessas tantas limitações que enredam a Literatura, a displicência da maioria das editoras no trato com quem se esforça, o limite de idade para ser escritor, a efemeridade dos debates na net , e agora até o limite de caracteres para uma pessoa participar.
      Pois bem, ao luar inventei um truque. Não sei se reparou, parti o texto em duas partes. A primeira seguiu como comentário. A segunda seguiu como resposta ao meu próprio comentário. Ora toma, que é para aprenderes!
      Confortado com esta minha aquisição tecnológica, satisfeito por ter superado uma limitação, dormi descansado até perto do meio-dia, andava o Pacheco na poda, ao sol.
      Um abraço.
      Joaquim

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  19. Tendo inteira razão na sua apreciação, a Maria do Rosário Pedreira, que é uma pessoa generosa e bem educada, talvez esteja a ser demasiado gentil no seu comentário. É que não há, verdadeiramente, crítica literária em Portugal.
    Há, globalmente, uma "paella" de recensões apressadas, opiniões de estilo papal de uma melancólica elite semanal que deve sentir horror pela própria vida, más traduções de textos estrangeiros, reproduções de press releases superficiais e artigalhadas académicas pouco compatíveis com as pressas de uma imprensa descuidada e pouco atenta e, com certeza, muitos exercícios de inveja.
    O que sobrevive de páginas e suplementos "culturais" em alguns jornais está espartilhado entre cumplicidades diversas, modas diversas, capacidade de penetração das assessorias de imprensa e perspectivas ainda mais elitistas ou académicas do que no período final do Estado Novo.
    E não me parece que publicações periódicas como a "Ler", "Os Meus Livros" ou o "JL" tenham a abrangência e a abertura de espírito necessárias para assumirem esse papel.
    Comparado com o que existia antes do 25 de Abril, o panorama é assustador.
    Do crítico "República" ao institucional "Diário de Notícias", passando pelo quase independente "O Seculo" e pelos menos alinhados "Diário de Lisboa", "Diário Popular" e "A Capital", todos tinham páginas ou suplementos onde se comentavam livros e, claro, cinema e teatro, artes plásticas e outras tendências. E espaço para saudáveis polémicas e opiniões contraditórias.
    É trágico que a liberdade institucional da Imprensa tenha sufocado os espaços de liberdade que a Imprensa pode ter.

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