Romance em imagens
Conhecia romances gráficos – até Paul Auster escreveu um – e, no fundo, não são muito diferentes da banda desenhada. O que não conhecia até à data era um romance em imagens, fotografias sobretudo, que compõem uma colecção com ar de poder ser vendida em leilão. E é exactamente assim o livro que tenho na mão, intitulado Artefactos Importantes e Objetos Pessoais da Coleção de Leonore Doolan e Harold Morris, Incluindo Livros, Roupa e Acessórios, publicado como um catálogo dos Leiloeiros Strachan & Quinn (quiçá os nomes são os dos autores). Folheando-o brevemente, parece o que anuncia: um catálogo com grafismo de catálogo, muito cuidado, com fotografias de pessoas, objectos, roupa, bilhetes de amor e respectivas legendas classificativas. Mas, bem vistas as coisas, é um romance, a história de amor entre duas pessoas. Ainda não li de fio a pavio, mas parece-me uma ideia inegavelmente interessante e original, se não mesmo a explorar. Parabéns a quem a teve, evidentemente. Espreitem, que vale a pena, e não se fiquem por ver, pois a leitura muda tudo.
Parece muito interessante, eu já vi um coisa com um formato similar na Sotheby's de Paris, era uma espécie de catálogo-livro que servia de preludio a um leilão de armas de caça antigas. Cada arma era acompanhada de um texto, na minha opinião romantizado em busca de um efeito que acabava por atingir, onde se contava a sua história. Como fossem quase todas pertença de famílias Francesas envoltas em feitos extraordinários (La Rochefoucauld, Montmorency, etc...), o catálogo ganhava uma vida fantástica e transformava-se numa leitura cativante. Não sei se esse que a tia aí tem também é assim
ResponderEliminarÓ tia, ó tia...
EliminarWe are Anonymous. We are Legion. We do not forgive. We do not forget. Expect
Eliminarus.
querida Rosário, o Auster não escreveu um, foi um artista americano, o Karasik, que adaptou o Cidade de Vidro (primeira parte da Trilogia de Nova Iorque) à banda desenhada. Como se adaptasse ao cinema. Eu gostei muito, mas não substitui o texto original: os melhores argumentos de romances gráficos são os argumentos pensados para romances gráficos. Beijinho
ResponderEliminarIsto vai parecer ridículo, mas na minha opinião existem animes (banda desenhada Japonesa) com um valor literário enorme, superior até a muitos livros que comummente se têm como boa literatura.
EliminarObrigada, João. Estava convencida que era mesmo do Auster.
EliminarHum... e isso será assim ao género do que eram as "fotonovelas"? Alguém se lembra?
ResponderEliminarForam muito populares e creio que esse sucesso tinha a ver com algum analfabetismo, cá em casa as criadas novitas eram consumidoras.
Será que estamos a voltar atrás?
Creio que pode ser um passo importante no sentido de ler...
"cá em casa as criadas novitas eram consumidoras..." E o Pacheco, consumia-as também?
EliminarAí não que não consumia! Com aquela gentileza rústica que os Ribatejanos aventam, quem é que resistiria? Só a mim é que não me calha nada, cá por casa só são permitidas moças de idade avançada e de dentadura incerta! Também agora os tempos são outros, ainda me processavam!
EliminarHum... vislumbro nessa pergunta uma ponta de ironia, talvez social talvez de cariz sexual, de que me desviarei pois entraria no campo daquilo que critiquei e que são os fantasmas da nossa infância ou juventude, que nos pesam ou nem por isso... mas porque não sou dos mal-intencionados e porque conheço o seu humor corrosivo, respondo: Ah!Ah!Ah ! Malandreco…
EliminarQuanto às fotonovelas, não exactamente... não as consumia, mas levado pela minha natural curiosidade sobre tudo o que fosse papel, e, legível, até pela sua similitude ao Cavaleiro Andante e ao Zorro, lembro-me de as folhear, sim. Por isso sei o que eram.
Creio que em termos da antropologia cultural se podem classificar como elemento e traços de cultura. Tiveram uma razão e desempenharam uma função, sobretudo numa época em que de facto havia analfabetismo. Nem todos podiam ler o Salut les Copains ”, ou um simples Corin Tellado , já para não falar de Max du Veuzit , e Marizabel Xavier Fogaça… o recurso à imagem era óbvio e uma forma de entreter ou até cultivar (sim!) quem não lia até porque não sabia ou tinha livros, não podia ir ao cinema e nem tinha acesso à TV, por vezes nem à luz eléctrica. Estas fotonovelas eram uma forma de divulgação e entretenimento bastante populares que se podiam ler à luz do petróleo, e repito que podem ser uma forma redescoberta de atrair para a leitura as mentes preguiçosas actuais.
Esperemos para ver… mas ainda vamos ter os Morangos com Açúcar na versão fotonovela, e se isso revitalizar toda uma fileira e conduzir à leitura, porque não?
Meiga é a saudade
ResponderEliminarque doce o desespero
o cipreste não balança
por lances de esmero?
é imagem perdida
do tempo luzido
vestindo maravilha
despida raiz e cupido
e atlantis é menção
rebusquem o ser
qual palma ilustrara
o que conhecera
por desconhecer
tornara-se visão!
Querida Amiga Cláudia:
EliminarSou feliz por ter nascido
no tempo dos homens-rãs
que descem ao mar perdido
na doçura das manhãs.
(António Gedeão)
Este aplica-se mais ao momento actual...
Saudações mediterrânicas!
Saudações do atlântico sul!
EliminarQuando, ontem, o livro me chegou às mãos na livraria não soube muito bem ontem o colocar. O meu primeiro impulso foi a secção de arte, visto parecer um catálogo de uma exposição, segundo me pareceu depois de consultar a internet.
ResponderEliminarMas, depois deste seu post vou, com certeza, experimentar enquadra-lo na ficção.
Correcção: nos romances, que sendo ficção ou histórias verdadeiras ficam na zona de literatura de ficção.
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