Um thriller português

Conheci o Pedro Garcia Rosado na Temas e Debates onde publiquei o seu primeiro romance policial (Crimes Solitários). Passaram-se vários anos em que cada um seguiu o seu caminho e, no ano passado, voltámos a encontrar-nos por causa de traduções, uma vez que ele é também tradutor. Nessa altura, desafiei-o a escrever uma série de policiais, passados em Portugal e com personagens portuguesas, que reflectisse com realismo o que cá se passa em matéria de crimes (já não somos um país completamente seguro) e da respectiva investigação e, ao mesmo tempo, que tivesse um herói ao qual o leitor se pudesse afeiçoar de um volume para outro. Surgiu então A Cidade do Medo, que a ASA acaba de publicar e é o primeiro volume da série «Não Matarás» (prevê-se um livro por ano). Esta primeira história, introducing o inspector da Polícia Judiciária Joel Franco – homem marcado por um crime ocorrido na adolescência e pronto a vingá-lo em cada morte que investiga –, debruça-se sobre um serial killer que espalha o pânico pela cidade de Lisboa com o intuito de castigar o presidente da Câmara, por causa de uma história (corrupta, pois claro) relacionada com vendas de terrenos da OTA (em que ambos estiveram envolvidos, mas um se saiu melhor do que o outro). Fazendo lembrar trafulhices que todos conhecemos, é paradoxalmente original. Espero que gostem.


 


Comentários

  1. Não me pronunciando sobre este post, pronuncio-me (fora de sítio) sobre o anterior (sobre o “editing”) só para dar o meu pessoalíssimo testemunho de que este livro passou pelo “editing” da Maria do Rosário Pedreira num processo intenso e às vezes “negocial” em que o resultado foi, do princípio ao fim, a melhoria do texto final. E em que muitas vezes pensei (testemunha também de muitas coisas que vou vendo pelos escaparates) que entre não publicar e ter um livro assim “edited”, talvez seja preferível deixar as coisas na gaveta... do fundo. Não quero ser drástico mas, ao quinto livro, é o que penso. O autor precisa, no mínimo, de alguém que, com o devido distanciamento, lhe faça uma apreciação objectiva do que escreveu. E, no máximo, do trabalho de “editing”. Como este que foi feito. Chame-se-lhe o que se quiser!

    ResponderEliminar
  2. Ota!

    (e a seguir pode apagar o comentário)

    ResponderEliminar
  3. Dois apontamentos:
    1) Uma para celebrar o Pedro e o que aqui disse. Mas é tão profunda a alegria de ver o trabalho de uma editora / leitora profissional, que a mim aconteceu-me pior ainda. Passei de 4 livros disponíveis para quem os quisesse ler a nenhum. Tirei tudo do "mercado":).Depois de testemunhar este trabalho e que, ao contrário das revisões solitárias (que sinceramente me custam, quase agoniam), ele torna cada regresso com o manuscrito riscado por quem sabe numa festa e num desafio, é como diz o Pedro: devemos ter a humildade de deixar no fundo da gaveta os livros cuja hora ainda não é esta.
    2) A segunda nota é de humor. No contexto da tertúlia do artigo do "Editing", ontem, ver aqui escrito introducing e serial killer levou-me, sinceramente, às lágrimas. A Rosário tem um fino humor:).

    ResponderEliminar
  4. sonia ferreira da silva15 de julho de 2010 às 07:20

    Eu adoro e mesmo saboreio os termos usados pelos portugueses. Fazem-me lembrar de minha avó (portuguesa) que sempre nos encantou com suas expressões que brotavam de repente, no meio de uma conversa. Aqui em seu post, na penúltima linha, deparei-me com a palavra "trafulhices" que tem uma sonoridade tão gostosa e dá a idéia perfeita do que significa!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Na Figueira

Em Berlim

O principal e o acessório