Livros de comer e chorar por mais
Gosto de livros de cozinha e sempre me relaxou ler de uma ponta à outra receitas que nunca me atreverei a experimentar – na verdade, só cozinho em última instância e sempre coisas triviais (cozidos e grelhados). Embora não seja também um bom garfo, delicio-me com as fotografias desses livros, admirando quem produz aquelas esculturas comestíveis sempre com o pezinho de salsa no sítio certo e legendas que falam de molhos, coberturas e caldos de um modo que se podia dizer quase sensual. Mas quem cozinha e gosta de comer garante-me que não há bíblia como o velhinho Pantagruel que, quando eu estava na Temas e Debates, se vendia às dúzias na Feira do Livro a todas as raparigas e rapazes casadoiros. E esse não tem retratos estimulantes, mas apenas – aqui e ali – uma pequena ilustração com um sabor antigo. O resto são receitas, acho que 1500 ou mais. A mecânica do livro é que não é imediatamente inteligível, porque, por exemplo, a receita de bacalhau gratinado no forno remete para o número da receita do molho bechamel (necessário para o gratinado); mas a maioria das cozinheiras julga que se trata de um número de página e nunca encontra à primeira o que procura. No tempo em que eu estava na Temas e Debates, houve uma senhora que não conseguia entender-se com as remissões e me telefonou tantas vezes na mesma semana com a mesma dúvida que a fiz prometer que me convidava para almoçar quando se norteasse. A verdade é que ainda estou à espera.
Falta o GRANDE livro de culinária: o que desperte intuições e estimule a criatividade!
ResponderEliminarQuanto aos outros são, muitas vezes, desnorteantes, com tanto pormenor que é mais desmoralizador do que um índice remissivo.
Quanto às fotografias: sabem, claro, que a maior parte (tal como nas receitas das revistas) são feitas de alimentos envernizados e tão compostos "pró boneco" que... até fazem mal.
Na verdade, muitas dessas fotografias são feitas com outros materiais que nada têm a ver com alimentos. Já vi uma reportagem na televisão sobre isso (não em Portugal) e esses "artistas", verdadeiros profissionais, servem-se de outros meios a fim de conseguirem imagens suculentas que os verdadeiros pratos, por mais bem feitos, nunca atingiriam.
ResponderEliminarNão sei se essa "arte" também existe em Portugal. E, em matéria de livros, é claro que a Maria do Rosário sabe mais do que eu.
De resto, não sou grande apreciadora de livros e programas de culinária. São muito agradáveis de ler e ver, mas a sua utilidade é mínima. Claro que se pode aprender um pormenor ou outro, mas sejamos francos: quantas pessoas põem em prática aquilo que lêem ou vêem?
Aqui na Alemanha até há uma boa piada sobre o assunto: aquela da família que vê deliciada um programa de culinária e, no fim, encomenda uma pizza, pois, além de ninguém ter vontade de cozinhar, já se fez tarde ;)
Rosário, estive aqui lendo seu blog e me encantei!
ResponderEliminaro seu estilo de escrita é no minimo sedutor, dá aquela vontadinha de "quero mais"! parabéns!
sou brasileira, médica, escritora e tenho 4 livros publicados.
Venci a primeira etapa do Concurso Literário do Clube de Autores.
Agora estou na segunda e última fase. Vencerá o livro mais votado até o dia 30 de julho de 2010.
Caso queira participar da votação eis o link para o meu livro Vitral - Compondo a Vida.
Acessando o link você poderá ler o primeiro capítulo do livro e dar o seu voto!
Mas lembre-se: o voto só é validado depois que é confirmado pelo mail que a Editora lhe enviará!
http://www.premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=12458
Se quiser ler mais sobre mim vá ao meu site: www.ledarezende.com.br
um abraço e parabens pelos textos e pelo destque!
entendo o que quer dizer, Rosário.
ResponderEliminarno início da minha vida independente, não sabendo cozinhar, comprei alguns livros e revistas a vulso, mas era tudo demasiado complicado e pouco prático para o dia-a-dia. usei algumas receitas, por exemplo, de bolos e sobremesas, mas nem todas ficavam tão bem e tão saborosas como era sugerido.
acabei por aprender sozinha, experimentando e conversando com pessoas mais experientes que partilhavam o seu saber.
Na verdade, nenhum dos suculentos alimentos fotografados nas publicações culinárias e na publicidade são comestíveis São réplicas de plástico ou alimentos injectados com corantes, tintas e vernizes. A razão disto é estética (ficam mais bonitos que os verdadeiros) mas sobretudo prática uma vez que é preciso que os alimentos aguentem bastante tempo sem se deteriorar sob o calor intenso das luzes de um estúdio fotográfico.
ResponderEliminarIsto fez-me ainda lembrar o Japão em que é usual os restaurantes apresentarem numa vitrina exterior os "seus pratos"... todos em plástico e à escala. Uma coisa muito prática para quem, como eu, só diz 2 palavras em japonês: leva-se o empregado à vitrina e aponta-se, dizendo gozaimass (por favor)!
Não cozinho e não tenho jeito para cozinhar, mas tenho comigo o mais belo livro de cozinha alguma vez escrito. Não tem sequer fotografias nem foi impresso em papel brilhante. Foi escrito num caderno pautado, pela mão da minha mãe, com todas aquelas receitas que acompanharam a minha vida até hoje. Sei que demorou meses a juntá-las e a copiá-las, num acto de amor de que só ela seria capaz.
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